Juiz ordena despejo de sem terra de prédio do Incra em Marabá

O juiz da Vara Federal de Marabá, Herculano Martins Nacif, concedeu liminar de reintegração de posse ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), determinando a saída imediata de mais de dois mil lavradores sem terra e assentados que invadiram e ocupam o prédio do órgão desde a última segunda-feira. Os líderes do MST e da Fetagri, organizadoras da invasão, reagiram indignados à ordem de despejo, afirmando que ninguém sairá do local. Eles só aceitam negociar a saída com a presença em Marabá do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, e do presidente do Incra, Marcelo Resende.Ao acolher o pedido dos procuradores do Incra, Pedro Duarte Filho, Dax Wallace Siqueira e Jaqueline Trindade, o juiz levou em conta a insegurança física dos servidores do órgão e a possibilidade de danos ao patrimônio público pelos sem terra. Nacif estabeleceu de multa R$ 1 mil diários contra o MST e a Fetagri no caso de ambos se negarem a cumprir a decisão judicial.Em Belém, a sede do Incra continua ocupada por cerca de 500 sem terra. Eles exigem a desapropriação de 20 fazendas, liberação de créditos da reforma agrária e perdão da dívida dos agricultores junto ao Banco da Amazônia. Alegam que as altas taxas de juros fizeram aumentar o tamanho das dívidas."Podemos ficar por tempo indeterminado se o governo federal não atender as nossas reivindicações", prometeu o agricultor Raimundo Soares.

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