Juiz Nicolau pode ter usado o esquema do Banestado

Investigadores que trabalham no levantamento das contas de brasileiros no exterior (que podem chegar a US$ 30 bilhões, via Banestado), suspeitam de que parte dos recursos desviados pelo juiz aposentado Nicolau dos Santos das obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo pode ter ido para paraísos fiscais pelo mesmo esquema.Procuradores e policiais federais devem fazer um rastreamento de 13 remessas feitas para bancos de Foz do Iguaçu, de R$ 17,3 milhões, no mesmo período em que houve cinco liberações de dinheiro pelo governo federal. "Se as remessas foram feitas via Foz do Iguaçu, é quase certo que os recursos para o fórum utilizaram as mesmas contas", afirma o procurador da República no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza, que na terça-feira vai depor na Comissão de Segurança da Câmara sobre o Banestado.Os investigadores pretendem confrontar as informações levantadas pela CPI do Judiciário no Senado com os documentos recolhidos pelas autoridades brasileiras nos Estados Unidos. O levantamento inicial feito pelo governo é que pelo menos R$ 169 milhões liberados para a obra do fórum foram desviados. Um relatório feito pela CPI do Judiciário sobre o caso demonstra que pelo menos 13 remessas foram feitas para o exterior depois das ordens bancárias emitidas pelo governo em favor dos construtores, sendo que uma delas, de R$ 19 milhões, utilizou o Banestado. Para fazer as remessas, foram utilizados diversos bancos brasileiros e paraguaios, mas as agências sempre eram as de Foz do Iguaçu.Esta semana, deputados e senadores devem começar a analisar os documentos enviados pelos investigadores à CPI do Banestado, que foi formada na semana passada no Congresso. As apurações, no entanto, só devem ter início a partir do próximo mês, quando os parlamentares recolherem material com procuradores que atuam em Foz do Iguaçu.

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