Juiz nega prisão preventiva de Stédile, líder do MST

Stédile está entre 37 acusados de participar da depredação do viveiro de mudas da Aracruz Celulose em 2006

Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo

12 de março de 2008 | 17h18

O juiz Jonatas de Oliveira Pimentel indeferiu o pedido de prisão preventiva contra o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, e a militante do Movimento das Mulheres Camponesas Oracélia Chaves, feito pelo promotor Daniel Indrusiak, de Barra do Ribeiro (RS).  Em despacho datado de terça-feira, Pimentel preferiu "oportunizar de forma derradeira" que os réus venham a ser ouvidos para apresentar suas defesas às 14 horas do dia 26 de junho de 2008 no Fórum da Barra do Ribeiro. Para isso, mandou citá-los por carta precatória em endereços apresentados nesta semana pela advogada Claudia Mendes de Ávila. Stédile e Oracélia estão entre 37 acusados por Indrusiak de participação na organização da depredação do viveiro de mudas e do laboratório da Aracruz Celulose no município gaúcho, a 60 quilômetros de Porto Alegre, feita por 1,5 mil mulheres da Via Campesina no dia 8 de março de 2006. O processo foi aberto em abril daquele ano. A Justiça já conseguiu ouvir 28 réus e cindiu o processo contra outros dois, Maria Rodrigues e Maria Leonor Batista, de paradeiro desconhecido. Por considerar que Stédile e Oracélia estariam dificultando a citação em seus endereços conhecidos, para onde foram enviadas as notificações, sem que houvesse alguém para recebê-las, o promotor havia pedido a prisão preventiva dos dois no processo, o que não implicava em julgamento de culpa pelo ato. O juiz também negou outro pedido do promotor, para transferir para o processo secundário os sete acusados que não foram localizados. Pimentel preferiu esperar pela audiência de 26 de junho e pela resposta das autoridades da República Dominicana, Suíça e Indonésia às cartas rogatórias com perguntas aos réus Juana Ferrer de Sanchez, Corinne Chantal Dobler e Henry Saragyh. A Justiça também vai fazer nova tentativa de localizar Manuela Bailosa, que estaria morando no Mato Grosso ou na Bahia, e espera pelo atestado de óbito de Loiva Rubenich, que morreu em outubro de 2006. A transferência dos nomes exigiria o reinício da instrução, o que poderia atrasar o julgamento.

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