Juiz manda soltar assassino confesso de garimpeiro

O pistoleiro Josivaldo de Oliveira Barros, o Nego Josa, acusado de matar com cinco tiros, em novembro passado, o presidente do Sindicato dos Garimpeiros de Curionópolis, no sul do Pará, Antônio Clênio Cunha Lemos, foi solto por determinação do juiz Roberto Andres Itzcovich, que acatou parecer favorável da promotora Regina Taveira. Réu confesso do crime, Barros estava na penitenciária de Marabá, depois de ter sido preso na casa de uma namorada em Imperatriz (MA). A promotora alega que o inquérito ainda está em andamento e que Barros não representa risco à sociedade. Para os sindicalistas da região e familiares da vítima, a libertação do pistoleiro é uma temeridade. O medo é que ele fuja, volte a matar ou seja assassinado em "queima de arquivo", por pessoas a quem acusou de terem encomendado a morte de Antônio Clênio. Ainda na penitenciária de Marabá, Barros disse temer por sua vida e chegou a pedir para não ser levado para Curionópolis, onde já foi visto circulando tranqüilamente pelas ruas. Na polícia, o pistoleiro teria apontado, como mandantes da morte, pessoas "poderosas" da região. O superintendente da Polícia Civil no sudeste do Pará, delegado Sílvio Maués, até hoje mantém sob sigilo o conteúdo do depoimento de Barros, mas não confirma nem desmente o envolvimento no caso do prefeito de Curionópolis, Sebastião Curió (PMDB). Antes de morrer, Antônio Clênio disse a várias pessoas que estaria sofrendo ameaças e que, se alguma coisa de ruim viesse a acontecer com ele, o responsável seria Curió, seu inimigo na briga pelo controle do garimpo de Serra Pelada. O prefeito nega ter ameaçado o sindicalista.

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