Juiz manda retirar sem-terra de fazenda em Alambari

O juiz Ronnie Herbert Barros Soares, da 2ª Vara Cível de Itapetininga, determinou nesta quarta-feira, em caráter liminar, a reintegração de posse da Fazenda Santa Isabel, no município de Alambari, região de Sorocaba, invadida no último sábado por cerca de 700 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST). A ordem judicial não pode ser cumprida porque os líderes não estavam no acampamento. Os militantes não permitiram que os oficiais de justiça Eli Galdino e Rafael Estácio entrassem na fazenda. Mesmo escoltados por cinco policiais militares, eles tiveram que ler o mandado do lado de fora do portão, a cerca de um quilômetro do acampamento.O capitão Raul Galindo dos Santos disse que será feita neta quinta-feira uma nova tentativa para a desocupação pacífica. Se houver negativa ou resistência, será ordenado o despejo forçado pela tropa especializada da PM. A corporação tembatalhões de choque em Itapetininga, Botucatu e Sorocaba, podendo deslocar também o de São Paulo para a operação. O planejamento da ação pode demorar de dois a três dias.O coordenador estadual do MST Navim Manikompel disse que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vai negociar com o Judiciário um prazo maior para que os acampados deixem a fazenda. "Precisamos de seis meses até que o Incra encontre outro lugar para assentaras famílias." Manikompel, que participou de um encontro com representantes do instituto em São Paulo, reconheceu que a Santa Isabel já não pode ser vistoriada, por ter sido invadida. "Mas sabemos que há cerca de 150 mil hectares de terras devolutas nessa região que vai de Sorocaba a Itapeva." OMST quer que essas terras sejam vistoriadas e desapropriadas para o programa de reforma agrária, segundo o coordenador. A intenção do movimento pode criar um novo foco de conflitos fundiários no interior. A região é uma das maiores produtoras de grãos no Estado. O Incra confirmou que vai participar das negociações para a desocupação pacífica da Santa Isabel, dentro dos prazos estabelecidos pela justiça. Os sem-terra mostram pouca disposição de sair da propriedade. Eles batizaram o acampamento de "Pátria Livre" e iniciaram o cultivo de hortas. Tambémnão permitiram que a imprensa passasse pelo portão. Segundo o coordenador regional Manoel Cardoso de Almeida, esse é um procedimento normal quando os líderes não estão no local. Eles viajaram para São Paulo para a reunião na sede do Incra. O advogado da Santa Isabel, Cícero Camargo Silva, disse que os sem-terra cortaram árvores e devastaram vegetação nativa, o que caracteriza crime ambiental.

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