Juiz manda MST desocupar fazenda de amigo de Temer

Propriedade foi invadida por 800 militantes na segunda-feira, 9; juiz fixou multa diária de R$ 5 mil para quem desobedecer decisão

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

14 de maio de 2016 | 16h20

SOROCABA – O juiz Luis Augusto da Silva Campoy, da Vara Única de Duartina, interior de São Paulo, mandou o Movimento dos Sem-Terra (MST) desocupar a Fazenda Esmeralda, invadida desde segunda-feira, 9, por 800 militantes. Em decisão dada na noite de sexta-feira, 13, o juiz fixou multa diária de R$ 5 mil para cada invasor caso a propriedade volte a ser invadida. Também autorizou requisitar força policial, caso haja resistência.

A fazenda, de 1,5 mil hectares, pertence ao ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, amigo do presidente em exercício Michel Temer. O local era frequentado pelo então vice-presidente da República. O MST alega haver indícios de que Temer seria sócio oculto da propriedade, o que ele já negou.

Até o início da tarde deste sábado, 14, o MST não havia sido notificado da decisão. “Assim que o oficial de Justiça chegar com o mandado, vamos fazer uma assembleia que decidirá o que vamos fazer. Não nos interessa o conflito”, disse Matheus de Assunção, da coordenação estadual do MST. 

Segundo ele, mesmo com a desocupação, o movimento continuará reivindicando a fazenda para a reforma agrária. “Além do possível vínculo com Temer, sabemos que há cinco anos a fazenda foi investigada por trabalho análogo ao de escravidão, quando era voltada para produção de laranja.”

A reportagem tentou contato com Lima Filho e com sua empresa, Argeplan Arquitetura e Engenharia, também sócia na fazenda, mas não teve retorno.

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