Juiz manda desocupar reserva indígena invadida

O juiz federal substituto de Marabá, Francisco Alexandre Ribeiro, determinou hoje a retirada de mais de 400 invasores de terra e madeireiros da reserva Apyterewa, dos índios parakanãs, em São Félix do Xingu, no sul do Pará. Ele pediu a ajuda da Polícia Federal e do governo estadual para que desloque tropa da Polícia Militar para cumprir sua decisão. "Há a ameaça de um confronto sangrento na área porque os invasores estariam dispostos a permanecer e os índios são guerreiros tradicionais, que estão armados", afirma o juiz na sentença.O procurador da República em Belém, Felício Pontes Júnior, viajou às pressas para a região na tentativa de evitar o confronto e negociar a saída pacífica dos invasores. "A situação é tensa na reserva. Os índios estão agitados", informou Pontes Júnior.A Fundação Nacional do Índio (Funai), beneficiada pela liminar de reintegração de posse concedida pela Justiça Federal, acusa o madeireiro Osvaldo Muniz de ter incentivado a invasão da reserva por supostas famílias sem terra. A intenção seria encobrir a retirada de mogno e outras espécies nobres de madeira. A direção do Ibama em Marabá foi notificada pelo juiz para multar Muniz por crime ambiental. O acusado poderá ser processado por invadir área da União Federal.A reserva Apyterewa é cobiçada há muitos anos por empresas madeireiras de São Félix do Xingu, que fazem contrabando e exportação de mogno. Cálculos do Ibama estimam que mais de 1 milhão de metros cúbicos de madeira já foram retirados na reserva. Segundo a Funai, depois da invasão o local transformou-se praticamente num assentamento. Casas estão sendo construídas e até uma estrada foi aberta no meio da floresta. É por lá que entram caminhões das serrarias do município que vão buscar a madeira extraída ilegalmente. Os parakanãs avisaram a Funai no começo deste mês que estavam se preparando para uma guerra contra os "brancos" se estes teimassem em permanecer na área. Os índios afirmam que não estão habituados ao convívio com estranhos e culpam os invasores por "doenças e desgraças" que hoje atingem a tribo.

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