DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Crime organizado é 'desafio do terceiro milênio', diz juiz italiano da Operação Mãos Limpas

Giorgio Santacroce, que fez parte de operação que investigou um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo políticos e autoridades italianas, destacou a necessidade de cooperação internacional para desvendar crimes de lavagem de dinheiro

O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2015 | 02h00

BRASÍLIA - O juiz Giorgio Santacroce, da Corte de Cassação da Itália, classificou ontem o crime organizado como o "desafio do terceiro milênio". O magistrado fez parte da Operação Mãos Limpas, que investigou um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo políticos e autoridades italianas. Nas últimas semanas, ela tem sido citada pelo juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato. Para o italiano, a criminalidade organizada, juntamente com o terrorismo, "representa o verdadeiro desafio do terceiro milênio."

Em palestra no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, Santacroce afirmou que a lavagem de dinheiro "retarda o aparecimento do crime" e "causa prejuízo ao desenvolvimento correto da investigação judiciária". O magistrado é especialista em investigações de organizações ligadas à máfia e ao terrorismo.

O juiz italiano destacou a necessidade de cooperação internacional para desvendar os crimes de lavagem de dinheiro. "Os mais complexos e perigosos esquemas de lavagem de dinheiro são operados utilizando diversos países."

Santacroce participou da abertura de seminário sobre lavagem de dinheiro organizado pelo STJ, ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, e do presidente da corte, ministro Francisco Falcão.

Lewandowski declarou que as autoridades locais e estrangeiras devem se unir na "luta sem trégua" de combate aos crimes e mencionou a existência de paraísos fiscais. "Essa luta necessária e inadiável somente poderá ser travada com estrito respeito ao devido processo, ampla defesa e contraditório e com escrupuloso resguardo da honra, privacidade e intimidade dos investigados pelo menos até o final dos respectivos processos", ponderou o presidente do STF. / B.B.

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