Juiz garante que vice-prefeito de Campinas será algemado se oferecer resistência

Magistrado nega rumores de privilégios a político envolvido em escândalo e que deve chegar de viagem nesta quinta

Rose Mary de Souza, especial para O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 18h01

O juiz da 3a. Vara Criminal Nelson Bernardes garantiu que não fez acordo algum com advogados para que o vice-prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra (PT), não seja algemado quando desembarcar em Guarulhos. Vilagra estava em viagem de férias pela Espanha e deve retornar ao Brasil no começo da noite desta quinta-feira, quando vai receber voz de prisão. "A Justiça não faz acordos. Ele será algemado se oferecer resistência ou tentar fugir", disse o juiz.

 

Com a declaração, o juiz pretendeu esclarecer os rumores de que o vice-prefeito teria privilégio por ter um cargo político. O advogado Ralph Tórtima, defensor de Vilagra, disse mais tarde que não esteve com o magistrado para tentar qualquer benefício nesse sentido. Tórtima esclareceu que pode ter sido mal interpretado ao lamentar a notícia de ver o pedido de relaxamento da prisão de seu cliente.

 

Além de apontar fraudes e propina envolvendo a autarquia SANASA (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento) , o relatório do GAECO (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) do Ministério Público compromete o ex-secretário de Segurança Pública Carlos Henrique Pinto com a retenção e liberação de alvarás de funcionamento de bares, restaurantes e casas noturnas na cidade. O ex-secretário não foi localizado e é considerado foragido desde o último dia 20, quando a justiça expediu 20 mandados de prisão temporária.

 

As interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e transcritas em relatório mostram conversas entre comerciantes e o promotor de eventos Ivan Goretti de Deus, também considerado foragido e procurado pela Justiça desde a semana passada. O promotor seria um intermediário e responsável em marcar encontro e apressar a liberação ou não do funcionamento de pontos comerciais.

 

Nos diálogos, o GAECO observou, em vários momentos, o que seria um pedido de liberação de um restaurante em troca de favores:".. se esses caras tão querendo propina, dá dinheiro para esses caras..". Em outros momentos, no que parecia ser uma discussão, o promotor de eventos acalma um comerciante que aguardava um alvará da Prefeitura, e diz que ele estaria "duvidando daquele acertinho".

 

Para os promotores do GAECO, as conversas coincidem com a época em que o secretário ocupava a pasta de Assuntos Jurídicos e iniciou uma operação denominadas Tolerância Zero que consistia em fiscalizar estabelecimentos comerciais e estabelecer seu fechamento quando estiverem em desacordo com a legislação.

 

Nessas incursões, em geral no meio da noite, Carlos Henrique Pinto contava com o auxílio da Polícia Militar, Guarda Municipal e agentes do PROCON em busca de alguma irregularidade. Em várias ocasiões, bares e casas noturnas amanheciam com um lacre em letras garrafais.

 

Carlos Henrique Pinto é advogado e o eventual sucessor do prefeito dr. Helio. Sua exoneração foi publicada no Diário Oficial do município e seu posto será ocupado pelo atual secretário de Assuntos Jurídicos Antônio Caria Neto, que acumulará os cargos.

 

Habeas Corpus

O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu habeas corpus, ao ex-diretor técnico da SANASA. Aurélio Cance Júnior, e ao ex- secretário de Comunicações, Francisco de Lagos. Cance Júnior está preso desde a última sexta-feira, 20, por força de prisão temporária que havia sido prorrogada. Ele chegou a prestar depoimento nesta quinta-feira e deve deixar a cela do 2o. Distrito Policial até o final da tarde.

 

A diretoria da SANASA, oficializou a exoneração de Cance Júnior do cargo de diretor técnico. Seu posto será ocupado pelo engenheiro civil Marco Antonio Santos, que ocupa a gerência de Distritos Regionais. Santos está na empresa há 26 anos.

 

Francisco de Lagos não foi localizado desde a última sexta-feira e era considerado foragido. De acordo com o MP, a decretação de prisões de membros do primeiro escalão da Prefeitura de Campinas ocorreu para não atrapalhar as investigações.

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