Juiz expulsa Nicéa e filho de sala de audiência

A ex-primeira-dama de São Paulo Nicéa Camargo e seu filho Victor Pitta foram expulsos da sala de audiência, na tarde desta quarta-feira pelo juiz da 14ª Vara Criminal, Pedro Luiz Aguire Menin, por comportamento indevido.A segurança foi acionada pelo juiz, para "acompanhar" a saída de mãe e filho. Nicéa e Victor foram ouvidos como testemunhas de acusação no processo movido por corrupção contra o ex-prefeito Celso Pitta e o empresário Jorge Yunes.Mediante contratos firmados em outubro e novembro de 1997 e abril de 1998, Yunes emprestou a Pitta R$ 800 mil. Os contratos simulariam um "presente" de Yunes a Pitta, caracterizando ato de improbidade administrativa. Ao ser ouvido, nesta quarta, segundo testemunhas, Victor teria agido com ironia ao referir-se ao réu Yunes, o que provocou o protesto do advogado de defesa, Paulo José da Costa Júnior. "Ele só chamou o Yunes de ´sujeito´, em vez de tratá-lo pelo nome. O juiz ficou bravo e falou que podia prender meu filho", afirmou Nicéa. Após a audiência, mãe e filho foram chamados pelo juiz, que pretendia adverti-los discretamente. Mas Victor revoltou-se e, dedo em riste, teria dito: "Eu é que estou sendo ofendido". Nicéa tomou as dores do filho e também foi ameaçada de prisão em flagrante pela desobediência. Ela estendeu então os dois pulsos e afirmou para Menin: "Me prenda. Não vamos ter mais ameaça". Segundo a ex-primeira-dama, ela estava nervosa porque havia recebido dois telefonemas de ameaça de morte, caso depusesse no caso Pitta, um na madrugada e outro na tarde da última segunda-feira. Menin só não prendeu os dois em flagrante por crime de desacato graças à interferência do advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, defensor de Pitta. "Uma promotora achou melhor nos retirar para uma salinha", afirmou Nicéa. Testemunhas garantem, porém, que a ex-mulher de Pitta e o filho, escoltados pela segurança, foram expulsos da sala de audiência. Segundo Nicéa, além dos advogados e promotores, a cena foi presenciada pelo vereador Roberto Tripoli (PSDB).

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