Juiz do caso Dantas não acredita no seu afastamento

Advogados do banqueiro pediram ao TRF que Fausto de Sanctis seja afastado do processo por falta de 'imparcialidade'

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S.Paulo, de O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2008 | 13h16

O juiz titular da 6º Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto De Sanctis , disse nesta segunda-feira, 10,  não acreditar na possibilidade de seu afastamento do caso do banqueiro Daniel Dantas, acusado de corrupção. A pedido dos advogados do banqueiro, que questionam a imparcialidade do magistrado, três desembargadores do Tribunal Regional Federal retomam hoje o julgamento da questão. A desembargadora Ramza Tartuce, relatora do caso, já se posicionou a favor da permanência de De Sanctis. A assessoria do órgão, no entanto, não confirma o julgamento para esta segunda.   Veja também: Especial explica a Operação Satiagraha Multimídia: As prisões de Daniel Dantas Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil   Ao dar uma palestra hoje no Rio, o magistrado disse confiar na permanência à frente do caso. No entanto, recusou-se a dar entrevistas com comentários sobre a Operação Satiagraha, origem do processo contra Dantas, e a investigação da Polícia Federal em torno do delegado Protógenes Queiroz, investigado por supostos vazamentos de informações da investigação e uso indevido de interceptações telefônicas.   A convite do procurador de Justiça Astério Pereira dos Santos, do Ministério Público do Estado do Rio, De Sanctis foi à capital fluminense dar uma palestra sobre os principais aspectos de processos contra a lavagem de dinheiro. Embora não tenha citado Protógenes ou Dantas, o juiz refutou as acusações de descontrole no uso de instrumentos com as interceptações telefônicas nas investigações e defendeu mudanças no sistema jurídico brasileiro, que, para ele, está direcionado a não permitir condenações definitivas com o excesso de recursos. O juiz disse ainda que os crimes de colarinho branco exigem que as autoridades não tomem apenas decisões ortodoxas.   "A Constituição deve ser mutável por excelência. Ela é dinâmica porque dinâmica é a sociedade. Não dá para interpretar a norma e o valor desconsiderando a realidade", afirmou De Sanctis durante a palestra, no auditório da Universidade Estácio de Sá, no Centro. "A Constituição não pode ser mais importante do que nós mesmos. Nós somos a constituição".   O juiz disse que métodos considerados invasivos como a interceptação telefônica, escutas presenciais, controle de movimentação financeira e outros são "naturais" em qualquer país disposto a combater crimes financeiros como a lavagem de dinheiro. "O que querem? Instaurar um inquérito, chamar as pessoas para testemunhar e depois o Ministério Público pedir para arquivar? É isso o que querem", disse à platéia de advogados e estudantes de direito, que compareceram ao lançamento de um livro sobre investigação criminal do procurador Astério. O anfitrião aproveitou para fazer um ato de desagravo ao juiz, louvando seu "compromisso com a sociedade" e simplicidade.

Tudo o que sabemos sobre:
Operação SatiagrahaDaniel Dantas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.