Juiz do caso Ceci Cunha teve pai assassinado por pistoleiros

Pai de André Luís Maia Tobias Granja, que preside o julgamento dos acusados pelo assassinato da deputada, foi executado por dois homens em 1982, no centro de Maceió

Tiago Décimo, correspondente de O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2012 | 18h36

MACEIÓ - Titular da 1ª Vara Federal em Alagoas, o juiz André Luís Maia Tobias Granja, que preside o julgamento dos acusados de participar do assassinato da deputada alagoana Ceci Cunha e de três de seus familiares em 16 de dezembro de 1998, crime que ficou conhecido como Chacina da Gruta, também teve sua família vítima de crime de mando.

 

Em junho de 1982, seu pai, o jornalista e advogado Francisco Guilherme Tobias Granja, com passagens por redações de grandes revistas à época, como Manchete, Fatos & Fotos e O Cruzeiro, foi assassinado com um tiro na nuca. Dois homens participaram da execução, contratados pelo empresário Dagoberto Calheiros. O assassinato foi cometido quando Tobias Granja deixava seu escritório de advocacia, no centro de Maceió, no fim da tarde de sábado.

 

Segundo a Justiça, o assassinato foi encomendado porque a vítima defendeu um acusado de homicídios contra integrantes da família Calheiros, o ex-cabo da Polícia Militar José Henrique da Silva - e obteve a absolvição do cliente.

 

O crime repercutiu no País e as investigações apontaram Napoleão José da Silva como o responsável. Inicialmente, ele disse ter cometido o homicídio sozinho. Depois, apontou Calheiros como mandante e outro pistoleiro, Manoel Pedro dos Santos, conhecido como Bigode, como executor.

 

Mais tarde, no julgamento, negou ter participado do crime - e alegou ter sido torturado por policiais para confessar. Calheiros foi condenado a 12 anos de prisão. Silva e Santos, a 18. O juiz André Granja, de 36 anos, tinha 7 anos quando ocorreu o crime.

 

Apesar da suspeita de parte da opinião pública alagoana de que o histórico familiar do magistrado pudesse interferir no julgamento, Granja tentou demonstrar isenção. Ainda antes dos depoimentos e interrogatórios, na manhã de segunda-feira, 16, ele elogiou publicamente a conduta dos advogados de defesa dos cinco acusados pela chacina.

 

"O processo está na minha mão há pouco mais de três meses e desde a chegada não houve nenhum tipo de incidente protelatório por parte da defesa", afirmou. "Garanto que os acusados terão direito a ampla defesa."

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