Juiz decreta prisão preventiva de nove da máfia do jogo

PF não inclui nem compadre nem irmão de Lula no pedido de prisão

Agencia Estado

15 de junho de 2007 | 02h40

O juiz da 5ª Vara Criminal da Justiça Federal de Campo Grande Dalton Conrado decretou na terça-feira à noite a prisão preventiva de 9 investigados pela Operação Xeque-Mate, incluindo o ex-deputado Nilton Servo, apontado como chefe da máfia dos caça-níqueis. Ontem mesmo, a Polícia Federal havia requerido a prisão preventiva de 11 acusados, mas excluíra duas pessoas muito próximas do presidente Lula - seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, o Vavá, e o empresário Dario Morelli Filho, seu compadre e suspeito de integrar a organização.O despacho de Conrado, de 5 páginas, em nenhum momento cita Vavá. No início da Xeque-Mate, que mira a exploração de jogos de azar, a PF pediu sua prisão temporária, pelos crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio. Mas a Justiça Federal de Campo Grande negou o pedido.Ao justificar o decreto de prisão dos acusados, o juiz cita as escutas telefônicas da PF. "As transcrições das conversas revelam a existência de indícios quanto aos delitos de corrupção ativa e passiva, porque agentes públicos estariam recebendo dinheiro para não apreender as referidas máquinas, bem como estariam também explorando diretamente máquinas caça-níqueis", diz. "É possível extrair das transcrições das conversas indícios de que os investigados teriam se associado, de forma estável e permanente, visando à exploração das referidas máquinas caça-níqueis."Na avaliação de Conrado, existe "prova suficiente para fins de prisão preventiva, da existência dos crimes de contrabando, quadrilha ou bando, e corrupção passiva e ativa, bem como indícios suficientes de autoria". Ele acentuou que "a ofensa à ordem pública está retratada no fato de que, mesmo após a apreensão de aproximadamente 500 máquinas caça-níqueis, as transcrições das conversas interceptadas revelaram que os investigados continuaram em suas atividades, não demonstrando qualquer intenção de paralisação, apesar das condenações criminais."Os acusados que permanecerão presos, além de Servo, são: Ari Silas Portugal, Edmo Medina Marquetti, Hércules Mandetta Neto, José Eduardo Abdulahad, Marmo Marcelino Vieira de Arruda, Sérgio Roberto de Carvalho, Gandi Jamil Georges e Raimondo Romano. O regime de prisão preventiva é mais severo que o temporário, porque o suspeito fica detido até o julgamento - a menos que consiga um habeas-corpus em tribunal superior.No mesmo despacho, Conrado determinou a soltura de Morelli e 18 outros investigados. Morelli foi detido dia 4 em Diadema e continuava preso até ontem à noite. Ele foi flagrado por grampo telefônico em conversas com os principais suspeitos da Xeque-Mate. Também foi avisado antecipadamente sobre a operação da PF, conforme mostram os grampos.Em 16 de maio, às 12h35, Morelli ligou para Servo e disse que precisava conversar com ele, porque "deu um pepino feio". Servo perguntou: "É comigo?". Ele respondeu que não sabia. Duas horas depois Servo ligou para sua mulher - Maria Dalva Martins, também presa - e disse que marcou encontro em uma pizzaria porque Morelli não queria ir até a empresa - a Multiplay, fabricante de máquinas caça-níqueis. Segundo Servo, "é por causa desse negócio de telefone, já teve comentário lá de cima". Para a PF, quando ele disse "por causa do telefone", estava se referindo ao fato de a polícia estar monitorando o grupo.Seu advogado, Milton Fernando Talzi, disse que o empresário não foi incluído no topo da organização. "Não há nenhuma prova de que Morelli tenha envolvimento com atividades ilícitas." A PF atribui a ele sociedade em uma casa de caça-níqueis, aberta em nome de um laranja, e prática de corrupção ativa. Morelli atuaria corrompendo policiais para facilitar os negócios ilícitos do grupo. (Colaborou João Naves)

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