Juiz decreta prisão de assassinos de casal no Pará

O juiz Murilo Lemos Simão é criticado por ter indeferido pedidos de prisão durante a investigação; para movimentos sociais, ele contribuiu para a fuga dos criminosos

Carlos Mendes, especial para O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 16h44

BELÉM (PA) - O juiz Murilo Lemos Simão, da comarca de Marabá (PA) decretou na quinta-feira, 28, a prisão preventiva dos acusados pela morte do casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva no dia 24 de maio passado, em Nova Ipixuna, no sudeste do estado. A informação foi liberada somente nesta sexta-feira, 29, pela assessoria do Tribunal de Justiça.

 

Simão estava sob críticas de movimentos sociais que o acusam de ter contribuído para a fuga dos assassinos ao indeferir dois pedidos de prisão encaminhados no decorrer do inquérito policial e com parecer favorável do Ministério Público.

 

Os três acusados, o fazendeiro José Rodrigues Moreira, mandante, o irmão dele, Lindonjonson Silva Rocha, e Alberto Lopes do Nascimento, o Neguinho, tiveram suas fotografias espalhadas por várias delegacias do interior do Pará e em estados vizinhos.

 

O relatório do Ministério Público diz que os executores do crime agiram mediante emboscada, sem possibilitar defesa às vítimas, ficaram escondidos na mata próximo de uma ponte, atiraram nas vítimas, e "retiraram a golpe de instrumento cortante a orelha de José Cláudio, agindo, assim, de forma cruel".

 

Rodrigues vinha ameaçando José Cláudio porque ele teria adquirido um lote de terra na área do projeto extrativista, mas o imóvel estava sendo ocupado por pessoas a mando das vítimas. Diante da disputa pela terra rural, o fazendeiro planejou, organizou e financiou o crime, segundo o MP.

 

O juiz observa que decretou a prisão que anteriormente negara por três vezes porque o delegado responsável pelo inquérito "investigou melhor o caso", a fim de esclarecer as dúvidas iniciais que pairavam sobre a autoria do crime.

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