Juiz decide se Abin pode acompanhar perícia da PF

A semana é vital para o impasse entre a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência. E a decisão está nas mãos do juiz Ali Mazloum, titular da 7.ª Vara Criminal Federal de São Paulo - ele vai julgar se reconsidera ou mantém a proibição imposta à Abin, que pretende fiscalizar passo a passo a perícia que a PF está realizando em equipamentos, computadores, documentos e mídias de armazenamento recolhidos no Centro de Operações da agência no Rio.A apreensão ocorreu há 19 dias, por ordem de Mazloum, que acolheu pedido do delegado Amaro Vieira Ferreira, corregedor da PF e responsável pelo inquérito que investiga vazamento de dados confidenciais da Operação Satiagraha. O Ministério Público Federal se opôs à busca na Abin por considerá-la ?desnecessária?. A PF fez a blitz porque o inquérito revela o engajamento de 84 agentes e oficiais da Abin na apuração contra o sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas. Para a PF, é ilegal a atuação dos agentes em missão de sua competência.A batida na Abin não tem precedentes. Nunca a Justiça havia ordenado uma devassa no coração da inteligência do governo federal. A ação provocou forte desgaste entre duas áreas sensíveis do Planalto, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ao qual está atrelada a Abin, e o Ministério da Justiça, que aloja a Polícia Federal.Contra a devassa na Abin insurgiu-se a Advocacia-Geral da União (AGU). Em medida cautelar que preenche 13 páginas, a AGU pede ao magistrado que reconsidere sua medida. A AGU alega ?risco de grave lesão à segurança pública e aos segredos de Estado?. O documento é subscrito pelo procurador regional da União Gustavo Henrique Pinheiro de Amorim e o subprocurador Cid Roberto de Almeida Sanches. Eles avaliam que o veto à Abin na perícia da PF pode levar ao ?desguarnecimento do necessário sigilo dos dados contidos nos objetos apreendidos? e ?representa graves riscos para a segurança nacional?. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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