Juiz dá quatro dias para MST desocupar fazenda no Pontal

O juiz Francisco José Dias Gomes, do fórum distrital de Pirapozinho, fixou hoje prazo de quatro dias para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) retirar as 1.500 famílias que, desde o dia 29 de julho, ocupam a fazenda São Domingos, em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema. Os sem-terra continuam destruindo a lavoura existente no local. Caso a determinação não seja atendida, Gomes determinou o uso de força policial para a retirada dos sem-terra, independente de nova ordem. O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado pedindo a intervenção policial para preservar a lavoura. O prazo começa a correr após a intimação dos líderes, que deve ser feita amanhã por um oficial de Justiça. O juiz mandou expedir ofícios para as polícias Civil e Militar informando sobre a decisão. Também oficiou à prefeitura de Sandovalina para o fornecimento de apoio, como ônibus e ambulâncias, caso seja necessário o despejo forçado.O coordenador do MST na região, Laércio Barbosa, disse que os sem-terra pretendem acatar a decisão judicial, mas devem negociar uma dilação no prazo. Caso sejam obrigados a sair, eles podem entrar em outra fazenda ou acampar na beira da rodovia que corta a propriedade. Na São Domingos, os integrantes do MST continuaram ontem a destruir a plantação de sorgo pertencente a dois arrendatários. Dois tratores estavam sendo usados para gradear a área plantada. Eles pretendem continuar o plantio de mandioca, já feito em 25 hectares. O arrendatário Roberlei Martim acionou as polícias Civil e Militar, mas os sem-terra não atenderam os dois policiais - um sargento e um investigador - que estiveram no local para fazer cessar a destruição. O advogado Coraldino Vendramini, que representa os arrendatários, entrou com pedido de apreensão dos tratores na Delegacia de Polícia de Sandovalina. Até o fim da tarde, as máquinas continuavam com os sem-terra. Ele pediu, ainda, abertura de inquérito contra os líderes dos invasores pela eventual prática de crimes de formação de quadrilha, danos e esbulho possessório.

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