Isaac Amorim/MJSP
Isaac Amorim/MJSP

Juiz da Lava-Jato no Rio, Bretas não comenta saída de Moro do governo

Apoiador de Bolsonaro, juiz que ficou famoso por pedir as prisões de Michel Temer, Sérgio Cabral e Eike Batista é cotado para a próxima vaga do STF

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2020 | 10h56
Atualizado 25 de abril de 2020 | 14h22

RIO - O juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos casos da Lava Jato no Rio, não se posicionou oficialmente sobre a saída do ex-colega de toga do governo de Jair Bolsonaro. Também não comentou as acusações feitas por ele ao deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Mais de 24 horas após a demissão de Moro, Bretas postou no Twitter uma mensagem em que não cita Moro e Bolsonaro. "Oro para que Deus abençoe nosso Brasil, iluminando os caminhos. Bom fim de semana", escreveu, antes de citar um salmo: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.”

O juiz foi retuitado por Filipe Martins, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais e discípulo de Olavo de Carvalho. Procurado pelo Estado, Bretas disse que não queria se posicionar sobre o caso.

Bretas é apoiador do presidente, com quem já apareceu em agenda pública. Ele também costuma compartilhar publicações de Bolsonaro no Twitter, ferramenta que usa com frequência. Por outro lado, foi parceiro de toga de Moro e, após o paranaense abandonar o cargo para integrar o governo, assumiu o protagonismo da Lava Jato, hoje muito centrada no Rio.

Em janeiro deste ano, Moro chegou a fazer uma visita institucional a Bretas na 7ª Vara Federal Criminal do Rio, no Centro da cidade. Posaram para fotos e almoçaram juntos no Corrientes 348, um dos restaurantes de carne mais badalados da capital fluminense. Comeram um bife de chorizo ao estilo argentino.

No mês seguinte, foi a vez de Bolsonaro ser afagado publicamente pelo juiz que já mandou prender o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-presidente Michel Temer e o empresário Eike Batista, entre outras figuras de protagonismo na vida pública. O magistrado participou de um evento evangélico ao lado do presidente na praia de Botafogo, zona sul do Rio, e da inauguração de uma obra. Pegou até carona no carro oficial da Presidência.

Quando Bolsonaro disse, no ano passado, que escolheria um ministro “terrivelmente evangélico” para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), os holofotes se viraram para Bretas, que frequenta aos domingos uma igreja no Flamengo, bairro em que mora. As mensagens bíblicas ocupam boa parte de suas publicações no Twitter - em algumas ocasiões, elas vêm acompanhadas de apoios ao presidente brasileiro e até ao norte-americano Donald Trump.

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