Juiz contesta afastamento e se diz vítima de complô

O juiz de São José do Egito, José Francisco de Almeida Filho, de 68 anos, recebeu com surpresa a decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) de afastá-lo do cargo por 90 dias. "Foi precipitado", afirmou o juiz ao contestar a acusação de que sua mulher o influenciava nas decisões judiciais.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

27 de abril de 2010 | 19h37

O magistrado se diz vitima de um complô que tem como protagonista um advogado, já falecido, que atuava na área de São José do Egito. "Tudo teve origem há quatro anos, quando estava botando em dia processos da comarca", contou. Ele descobriu um inquérito policial por uso de documento falso e falsidade de documento contra o advogado, que teria sido engavetado por um funcionário do fórum. O juiz encaminhou o inquérito ao Ministério Público, que o denunciou e o advogado foi condenado a quatro anos de prisão. A sentença foi reformada pelo TJPE para dois anos.

De acordo com o juiz, foi em 2006 que o advogado levantou as denúncias contra sua mulher. Segundo o juiz, o corregedor enviado para a sindicância era amigo do advogado e ouviu apenas testemunhas indicadas pelo próprio. Em 2008, de acordo com o juiz, o processo teria sido arquivado. "Agora fui surpreendido com essa decisão".

O juiz nega interferência da mulher na comarca e afirma que se isso acontecesse, o Ministério Público já o teria denunciado. Ele admite que a mulher, aposentada há 13 anos, o acompanhava no trabalho, mas sem interferir nas decisões. "Ela é formada em História, não entende de Direito".

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