Juiz cobra prova de 'comissões' para diretor de Abastecimento da Petrobrás

José Carlos Cosenza autorizou assinaturas de contratos com grupo de empreiteiras investigadas na Lava Jato e teve nome mencionado em depoimentos; PF reconheceu erro ao citá-lo em interrogatório

Fábio Brandt, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 14h37

Atualizado às 16h18

Brasília - O juiz federal Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Criminal de Curitiba, cobrou da Polícia Federal nesta quarta-feira, 19, provas do envolvimento do atual diretor de Abastecimento da Petrobrás, José Carlos Cosenza, no escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. A intimação foi expedida em caráter de urgência. Nesta tarde, a PF informou que o nome de Cosenza foi mencionado erroneamente nos interrogatórios.

Cosenza, sucessor de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da estatal, entrou para a lista de protagonistas do escândalo nesta semana após seu nome ser mencionado no interrogatório de alguns presos pela PF.

"Paulo Roberto e Youssef [o doleiro, Alberto Youssef] mencionaram o pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobrás para si, para os diretores [Renato] Duque, [Nestor] Cerveró e [José Carlos] Cosenza, e para agentes políticos, confirma?", perguntou o delegado de Polícia Federal Agnaldo Mendonça a três executivos presos na sétima fase da Lava Jato, batizada de "Juízo Final".

No despacho desta quarta, o juiz Sergio Moro escreveu o seguinte: "Acerca de supostos pagamentos efetuados a outro dirigente da Petrobrás, José Carlos Cosenza, intime-se a autoridade policial para esclarecer se, de fato, há alguma prova concreta nesse sentido, uma vez que até o momento este Juízo não foi informado de nada a esse respeito".

Em resposta ao juiz, a PF informou ter sido um erro ter mencionado o nome do atual diretor entre os beneficiários do esquema. "Cumpre esclarecer que não há, até o momento, nos autos, qualquer elemento que evidencie a participação do atual diretor no esquema de distribuição de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobrás", escreveu o delegado da PF responsável pela Lava Jato, Márcio Adriano Anselmo.

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