Juiz aceita denúncia contra Daniel Dantas por corrupção ativa

Banqueiro e os únicos investigados da Satiagraha ainda presos são acusados de tentar subornar delegado da PF

Andréia Sadi, do estadao.com.br,

16 de julho de 2008 | 17h07

O juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara da Justiça Federal, aceitou nesta quarta-feira, 16, a denúncia contra o banqueiro Daniel Dantas, o seu braço direito Humberto Braz e Hugo Chicaroni, segundo a assessoria do Tribunal Regional Federal da 3ª região. O Minstério Público Federal denunciou Dantas por corrupção ativa no caso do suborno ao delegado da Polícia Federal Vitor Hugo Rodrigues Alves Ferreira para se livrar das investigações da Operação Satiagraha, que prendeu ele, sua irmã, Verônica Dantas, e mais 20 pessoas.   O banqueiro está em liberdade desde sexta-feira e prestou depoimento durante três horas na superintendência da PF na tarde desta quarta. Dantas chegou com uma hora de atraso e foi ouvido pelo delegado Protógenes Queiroz, envolvido em nova polêmica sobre saída do comando da Satiagraha. Protógenes anunciou na última terça que deixaria a investigação, mas rumores levantam a hipótese de motivação política. Irritado, Lula rebateu a insinuação nesta quarta e cobrou a volta de Protógenes ao caso.   Veja também:Leia íntegra da decisão do juiz que aceitou denúncia  Entenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel Dantas e as decisões do STFLula cobra volta do delegado Protógenes ao caso DantasDantas deixa sede da PF após quase três horas de depoimentoPresidente do STF justifica libertação de Dantas  Veja as principais operações da PF desde 2003  Na decisão, o juiz designou as datas para interrogatório dos denunciados. O primeiro a ser ouvido será Hugo Chicaroni, no dia 5 de agosto, às 13 horas. No dia seguinte, dia 6 de agosto, será a vez de Humberto da Rocha Braz, que irá depor no mesmo horário. E no dia 7 de agosto, Fausto Martin De Sanctis ouvirá Daniel Dantas, também às 13 horas. Todos os depoimentos serão colhidos na 6ª Vara Criminal, localizada no Bairro da Bela Vista, na Capital.  Dantas, por duas vezes, foi preso na semana passada por agentes federais na Operação Satiagraha - que investiga organização criminosa à qual são atribuídos crimes de lavagem de dinheiro e suborno - e por duas vezes foi libertado por habeas-corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na operação, foram presos ainda o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o megainvestidor Naji Nahas. Na última terça, Braz e Chicaroni tiveram o habeas-corpus negado por Mendes e são os dois últimos presos da operação.  Tentantiva de suborno Junto com Braz,  Hugo Chicaroni  aproximou-se do delegado Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, da equipe do delegado responsável pelo caso, Protógenes Queiroz, e pediram a ele que revelasse nomes que estavam sob vigilância. O juiz Fausto De Sanctis autorizou a PF a fazer ação controlada, com escuta telefônica e ambiental - os contatos tiveram seqüência sem que Chicaroni e Braz fossem autuados em flagrante por corrupção ativa. Os dois tiveram prisão preventiva decretada, mas Braz estava foragido.Durante as "negociações", os enviados do banqueiro chegaram a dar R$ 129 mil ao delegado. Os encontros ocorreram no restaurante El Tranvia, na Rua Conselheiro Brotero, 903. Eles disseram ao delegado que a preocupação de Dantas seria apenas com a primeira instância judicial, uma vez que no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal "ele resolveria tudo com facilidade". O juiz De Sanctis definiu o suborno como "método espúrio, numa clara afronta ao Judiciário". Em pelo menos dois contatos, esse grupo ofertou ao delegado da PF, a título de demonstração de boa-fé, R$ 50 mil em um primeiro momento, e R$ 79 mil, aproximadamente, num segundo momento", destacou o procurador da República Rodrigo de Grandis. "A promessa de propina ao delegado, a audácia do grupo criminoso, que não respeita as instituições brasileiras, foi de US$ 1 milhão."A primeira gratificação ocorreu no prédio onde reside Hugo Chicaroni, em Moema. O delegado o acompanhava. Hugo subiu ao apartamento e retornou à portaria com uma bolsa preta com 10 pacotes, cada qual com R$ 5 mil. Foi no dia 19 de junho. Hugo iria confirmar nova reunião com o objetivo de pagamento de propina de cerca de US$ 500 mil.  Texto ampliado às 17h36 (Com Carolina Freitas, da Agência Estado)

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