Juiz abre ação por fraude nos Correios

Apuração da PF revela esquema de extorsão contra donos de franquias

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

A Justiça Federal abriu ação criminal contra oito investigados da Operação Déjà Vu, desencadeada em outubro pela Polícia Federal para combater tráfico de influência e extorsão em processos de compra e transferência de agências franqueadas dos Correios. A decisão foi tomada pelo juiz José Denílson Branco, da 1ª Vara Federal de Sorocaba (SP), que acolheu denúncia da Procuradoria da República.O juiz também ordenou a remessa de cópia dos autos à Justiça Federal em Brasília para investigar outras 12 pessoas, entre elas um ex-diretor comercial dos Correios, demitido por envolvimento em violação de sigilo funcional e fraudes.A nova etapa da Déjà Vu aponta ainda para um ex-gerente regional dos Correios em São Paulo, demitido por irregularidades apuradas por outra operação, a Selo II.A PF suspeita que o esquema desmontado em Sorocaba foi inspirado no modelo descoberto pela CPI dos Correios - migração ilegal de postagens de grandes agências para franqueadas em prejuízo da empresa. Treze alvos da Déjà Vu foram detidos por tráfico de influência, extorsão, quadrilha, sonegação, advocacia administrativa, falsidade ideológica, corrupção passiva e ativa, exploração de prestígio e violação de segredo profissional.A denúncia do Ministério Público Federal indica que Paulo Rodrigues, proprietário da Agência de Correios Franqueada 31 de março, em Votorantim (SP), foi constrangido pelo empresário Alex Karpinsck a alienar sua loja por valor muito inferior ao de mercado, sob pena de ser descredenciado da rede de Correios e sofrer represálias - com a perda total da agência sem indenização. Karpinsck não foi localizado para falar sobre o caso. O Ministério Público sustenta que "Alex agia em coautoria com funcionários dos Correios que possuíam informações sigilosas e privilegiadas da empresa".

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