André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Jucá diz que respeita decisão de Cunha, mas que não é hora de romper com o governo

Embora tenha solidariedade ao colega peemedebista - disse que ele tem sido vítima de um 'excesso' -, Jucá contrariou o correligionário ao dizer que 'não é o momento' para romper com Executivo.

RICARDO BRITO E ISADORA PERON, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2015 | 16h41

Brasília - O senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou nesta sexta-feira, 17, que respeita a posição do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de romper pessoalmente com o governo Dilma Rousseff. Embora tenha solidariedade ao colega peemedebista - disse que ele tem sido vítima de um "excesso" -, Jucá contrariou o correligionário ao dizer que "não é o momento" para romper com Executivo. Para ele, o País vive uma "inversão de valores".

"O demérito não é ser investigado, o demérito é ser condenado. Então, enquanto não se condenar ninguém, você tem que ter uma postura equilibrada, e da forma como estão se fazendo as divulgações, estão se fazendo prejulgamentos", criticou Jucá, que, assim como Cunha, também é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal por causa da Operação Lava Jato.

Em defesa do presidente da Câmara, o senador do PMDB disse que a imprensa e o Ministério Público só podem "comprar" a delação premiada no momento em que ela for comprovada. Segundo ele, o instrumento deve ser uma linha de investigação.

Ao destacar que não está rompido com o governo, mas adotou uma postura independente, Jucá disse que Cunha "foi para a oposição". A decisão, afirmou, é mais um ingrediente que complica a condução política do governo no Legislativo. "Quer queira, quer não queira, ele é o presidente da Câmara e ele tem uma base respeitável na Câmara", avaliou. "Acho que essa postura dele dificulta o andamento dos procedimentos aqui no Congresso".

Segundo o peemedebista, a postura adotada por Cunha não mudará a posição do Senado. Ao lembrar o fato de que três senadores foram alvos na terça-feira, 14, de uma busca e apreensão, ele disse que cada fato tem sua consequência. E lembrou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou uma nota "equilibrada" criticando a operação.

Jucá não quis comentar se houve conluio entre o governo e o Ministério Público - conforme alega Cunha - na divulgação das delações premiadas. Para o senador, cabe ao governo responder, porque ele não dispõe do nível de informação para falar sobre eventual interferência.

Aliado de Renan, o senador comentou ainda o fato de o presidente do Senado - outro alvo da Lava Jato - não ter se pronunciado sobre o rompimento com o governo defendido por Cunha. "Cada um reage no seu estilo", limitou-se a dizer.

Bombeiro. O peemedebista destacou que "ainda" não é momento para rompimento ao considerar que é necessário fazer um ajuste. Ele frisou que o quadro político, econômico e social é de "bastante gravidade". "Eu ainda sou do departamento de bombeiros, não dos incendiários", disse. Ele ponderou, entretanto, que, até outubro, mês do Congresso do PMDB que poderá avalizar a coalizão com o governo, é uma "eternidade na política" e não pode dizer se o partido até lá estará do lado da presidente Dilma.

Jucá disse que o impeachment da presidente "ainda" não está na pauta. Questionado sobre o fato de que Cunha teria poder para deflagrar um processo de afastamento da chefe do Executivo, ele respondeu: "Ninguém tira o presidente por vontade pessoal de ninguém. A retirada de um presidente é resultado de uma conjuntura nacional."

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