André Dusek/Estadão
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Jucá diz que PMDB estuda se tornar oposição, mas Temer afirma que Dilma termina mandato

Segundo senador, partido 'tem discutido muito' um afastamento do governo; vice, no entanto, declara apoio à presidente ao dizer que 'ela está se recuperando'

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2015 | 15h18

SÃO PAULO - Ex-líder da presidente Dilma Rousseff no Senado, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse, nesta segunda-feira, 14, em São Paulo, que seu partido “tem discutido muito” a possibilidade de migrar para a oposição ao governo, mas que ainda não chegou a hora de fazer a contabilidade de votos para um eventual pedido de impeachment.

“O PMDB tem discutido muito isso e está preparando um congresso, que provavelmente será no dia 15 de novembro, para discutir o posicionamento do partido. O afastamento tem que ser resultado de um entendimento programático. A bola agora está com o governo”, afirmou, durante o seminário "Saídas para a crise", promovido pela OAB-SP, Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Instituto de Estudos Avançados da USP e TV Cultura. 

O peemedebista, no entanto, foi cauteloso em relação ao movimento pelo impeachment que foi deflagrado por uma frente suprapartidária na Câmara dos Deputados. “Não chegou a hora ainda de fazer essa contabilidade (dos votos favoráveis ao impeachment). Você não troca de presidente como troca de roupa”.

Jucá, que também foi líder do governo na gestão Fernando Henrique Cardoso, disse, ainda, que já foi da base governista, mas hoje é “independente”.

Dilma Rousseff. Segundo o senador "não dá para dizer" se a presidente Dilma Rousseff vai chegar ao final de seu mandato. "Ou o governo muda os procedimentos e suas práticas, dá um cavalo de pau e muda rapidamente, ou terá muita dificuldade de governar", disse. Questionado se a gestão da petista já tinha dado alguns sinais de mudança, frisou que até o momento não mudou nada e garantiu que é preciso esperar o que vai acontecer esta semana, quando a gestão petista prometeu anunciar um pacote de medidas que deverá levar a um corte de cerca de R$ 20 bilhões em suas contas

Crise. Na avaliação de Jucá, a crise econômica se dá, em grande parte, por erros cometidos pelo próprio governo. E listou: "Posturas ideológicas, intervenção em setores do mercado, desequilíbrio de sistema de grande porte. A inabilidade do governo com a política é outro fator que, combinado, cria a tempestade perfeita." E a corrupção, continuou, é uma questão que não pode ser impingida aos partidos políticos, mas às pessoas.

Para o peemedebista, o governo tem que sinalizar para a sociedade um outro momento, com o corte de gastos e ministérios. "Não dá para pedir sacrifício de ninguém, sem dar o exemplo do que vai se fazer." E tem que amadurecer uma agenda política comum e ter maioria forte e estável no Congresso para fazer as transformações que o País precisa fazer. Jucá voltou a colocar em dúvida o poder de reação do governo petista: "Se este governo (Dilma) vai conseguir fazer isso ou não, eu não sei."

O senador acredita, ainda, que os problemas do País não serão resolvidos com o ajuste fiscal. "O ajuste fiscal é uma obrigação legal, que deve ser feito, como diz a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)". "Eu mesmo tenho sido um crítico da condução do governo", afirmou, ressaltando que os problemas serão com a recuperação da confiança, da credibilidade e segurança jurídica no País "que o governo jogou fora com (intervenções) no sistema elétrico, BNDES e Petrobrás".

O senador afirmou, ainda, que não é mais possível maquiagens e subterfúgios (nas contas do governo), citando que no déficit orçamentário de R$ 30 bilhões que o governo enviou ao Congresso Nacional, existem arrecadações não configuradas. 

Temer. Apesar das declarações de Jucá, o vice-presidente Michel Temer, companheiro de partido do senador, afirmou, em Moscou, que a presidente Dilma Rousseff vai completar o mandato para o qual foi eleita. Questionado pelo Estado sobre se a presidente está em sua "última chance", Temer respondeu: "Não, imagine! A presidente está se recuperando cada vez mais e tenho certeza que terminará o mandato", afirmou.

Indagado sobre o pacote de cortes orçamentários que o governo deve anunciar ainda hoje e sobre se a austeridade seria suficiente para dar ao Planalto uma última chance, o vice-presidente respondeu: "É uma oportunidade. Foi pregado intensamente no sentido que se façam os cortes. Mas os cortes não estão definidos ainda", ponderou. "Se houver cortes, acho que é um bom passo e um atendimento a vários setores que pleiteiam exatamente cortes."

Temer se recusou a falar, no entanto, sobre as propostas de aumento da carga tributária para ampliar as receitas e garantir o superávit de 0,7% em 2016. Na semana passada, a hipótese de mais impostos, evocada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em visita a Paris, havia sido reprovada por ele. "Sobre isso eu vou falar no Brasil", desconversou.

O vice-presidente disse, ainda, que não foi questionado pelas autoridades russas com as quais se encontrou sobre a instabilidade política no Brasil. Temer faz visita hoje a Moscou, onde teve encontro com Sergei Naryshkin, presidente da Câmara de Deputados da Rússia, a Duma. Na quarta-feira, 16, ele representa o país na 7ª Reunião da Comissão de Alto Nível (CAN) de Brasil e Rússia, quando terá encontro com o primeiro-ministro e ex-presidente russo Dmitri Medvedev.

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