ADRIANO MACHADO|REUTERS
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Jucá diz que permanece no cargo se Temer desejar

'Hoje pela manhã estive com o presidente Michel Temer e ele reafirmou o apoio à Lava Jato. Reafirmo o meu apoio às investigações e à punição a qualquer pessoa que seja que tenha algum tipo de responsabilidade', afirmou o ministro

Eduardo Rodrigues e Rachel Gamarski, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2016 | 13h14

Brasília - O ministro do Planejamento, Romero Jucá, negou há pouco que tenha tentado interferir nas investigações da Operação Lava Jato e disse que permanece no cargo enquanto o presidente em exercício Michel Temer assim o desejar. Jucá avaliou ainda que o escândalo envolvendo a gravação de uma conversa particular não deve atrapalhar a votação de projetos do governo no Congresso e chegou a dizer que a sua permanência no ministério pode inclusive ajudar a Bolsa de Valores a subir.

“Hoje pela manhã estive com o presidente Michel Temer e ele reafirmou o apoio à Lava Jato. Reafirmo o meu apoio às investigações e à punição a qualquer pessoa que seja que tenha algum tipo de responsabilidade”, afirmou o ministro. “O Brasil avança e muda de paradigma com Operação Lava Jato. Não há nenhuma mínima chance de qualquer interferência do Executivo sobre qualquer investigação”, completou.

Jucá disse que o próprio Temer solicitou que ele convocasse a imprensa para dar esclarecimentos sobre a conversa tida com o ex-senador Sérgio Machado, ocorrida em um café da manhã na casa do ministro. “O presidente Temer reafirma a posição do governo em colaborar e prestar todas condições de suporte para que a operação (Lava Jato) e seu resultado possam ser feitos de maneira célere sem proteger quem quer que seja”, acrescentou.

Apesar de já haver pressões no Congresso para que Jucá deixe o ministério, ele garantiu que só irá entregar o cargo se Temer assim o desejar. “Quero reafirmar meu compromisso com o trabalho no Ministério do Planejamento. O cargo de ministro é uma decisão de Temer, e vou exercê-lo em sua plenitude enquanto tiver confiança do presidente”, afirmou. “Meu emprego não é de ministro, eu estou ministro. Minha função é de senador, eleito pela terceira vez pelo povo de Roraima”, completou.

Mesmo com as reações negativos no parlamento, Jucá avaliou que a divulgação da conversa apenas “faz uma onda”, sem consequência prática no votação da meta fiscal. O governo Temer pede que o Congresso aprove ainda esta semana um déficit primário de R$ 170,5 bilhões nas contas do governo em 2016.

Para Jucá a queda na Bolsa de Valores na manhã de hoje pode ter acontecido por parte do mercado acreditar que uma eventual saída dele do Planejamento seja uma baixa na equipe econômica. “Se eu ficar e for confirmado, talvez a Bolsa possa subir. Essa é a minha leitura pelo respaldo que eu tenho com o mercado financeiro”, argumentou. “Espero que medidas a serem anunciadas façam com que a Bolsa possa aumentar. Se parte da imprensa está tentado derrubar a Bolsa, vamos fazer esforço contrário”, concluiu. 

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