Jucá diz que Dilma vai insistir no mínimo de R$ 545

Segundo líder do governo no Senado, a presidente 'sabe que tem de tomar essa medida dura, corajosa, de responsabilidade fiscal', apesar da forte pressão das centrais sindicais

Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo,

14 de fevereiro de 2011 | 18h14

BRASÍLIA - Convencida pelos líderes de que será possível aprovar, na quarta-feira, a proposta do governo de reajustar o salário mínimo para R$ 545, a presidente Dilma Rousseff abandonou a ideia aventada por alguns parlamentares de elevar o mínimo para R$ 560. A decisão, segundo o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), foi tomada na reunião de coordenação política, realizada na manhã desta segunda-feira, 14, no Palácio do Planalto, após o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) e ele próprio relatarem o trabalho de convencimento que estão fazendo nas duas Casas do Congresso. Jucá acredita que a presidente Dilma "está tranquila" quanto à decisão de manter o valor que tem o apoio da equipe econômica do governo.

"É a conta possível para o governo, o mínimo de R$ 545 e o reajuste da tabela do Imposto de Renda em 4,5%", afirmou Jucá. "A presidente sabe que tem de tomar essa medida dura, corajosa, de responsabilidade fiscal, que de certa forma enfrenta as centrais sindicais e alguns segmentos da base do governo, mas que é importante. É a decisão correta, certa, e é o número que será trabalhado."

Principal assunto da reunião, Jucá dá como certo o êxito do trabalho que ele e Vaccarezza estão fazendo para remover eventuais resistências entre os aliados do governo. "A base está entendendo o discurso, sabe da responsabilidade. Estamos vivendo um momento economicamente importante, o início do governo que tem de direcionar a questão perante os gastos e perante o futuro". "Será uma luta dura, mas o governo deverá vencer na Câmara, como eu também espero vencer no Senado", prevê.

Para a senador José Pimentel (PT-CE), deve prevalecer a política de recuperação do valor de compra do salário mínimo, firmado em 2006 pelo governo e as centrais sindicais. "O que é fundamental é a regra permanente de reajuste", alega, lembrando que foi pactuado um valor relacionado à inflação do ano anterior e ao crescimento de dois anos anteriores do PIB.

Único da base a protestar contra o reajuste de R$ 545, o senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu hoje na tribuna "um entendimento" para elevar o mínimo para R$ 560. "Um reajuste em torno de 2% e quem ganharia com isso são os trabalhadores", alega. "Alguém diz: "Mas, R$ 15 a mais é ridículo. Ridículo talvez para quem ganha R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 15 mil, R$ 20 mil, R$ 30 mil. Mas, para o trabalhador, significa exatamente 60 pães a mais na sua mesa".

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