Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Jucá critica proposta de Bolsonaro sobre campo de refugiados venezuelanos

Senador quer centro de triagem para refugiados que vem da Venezuela

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

14 Março 2018 | 21h29

Uma das principais lideranças de Roraima, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB), criticou nesta quarta-feira proposta do deputado e presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) de criar um campo de refugiados para venezuelanos que chegam ao País. O emedebista defendeu a criação de centro de triagem para controlar a entrada dos estrangeiros na fronteira entre o Brasil e Venezuela.

"Vai botar quem para tomar conta (do campo de refugiados)? A ONU (Organização das Nações Unidas)? É pior, é um enclave da ONU dentro do Brasil", afirmou Jucá ao Broadcast. Para ele, a primeira medida a ser adotada é um controle de barreira sanitária na fronteira. "Tem que ter um centro de triagem. Porque tem que vacinar as pessoas. Está entrando gente doente lá. Está tendo surto de sarampo, já tem suspeita de febre amarela, já teve caso de difteria", disse.

Em entrevista publicada na edição de hoje do Estado, Bolsonaro listou três propostas para enfrentar a imigração de venezuelanos no Brasil. "Primeiro, via Parlamento, revogar essa lei de imigração aí. Outra, fazer campo de refugiados. Outra: em vez de esperar passar o vexame do (Nicolás) Maduro expulsar os nossos embaixadores, já era para ter chamado há muito tempo e tomado outras decisões econômicas contra a Venezuela", disse.

 

O presidenciável afirmou também que somente os venezuelanos mais pobres estão emigrando para o Brasil. "A ditadura, quando começa a tomar forma, a elite é a primeira a sair. Essa foi pra Miami. A parte mais intermediária, grande parte foi para o Chile. E agora os mais pobres estão vindo para o Brasil. Nós já temos problemas demais aqui. Se vamos incorporar aquele exército que recebe Bolsa Família, quem vai pagar isso aí? Vamos aumentar impostos?", declarou.

Já o líder do governo afirmou que o governo também precisa realocar os refugiados. Segundo ele, Boa Vista e Pacaraima, que fica na fronteira, não comportam a quantidade de imigrantes venezuelanos que querem entrar no Brasil. "Essas pessoas terão de ser interiorizadas ou vai ter que se criar algum tipo de encaminhamento para elas", declarou o emedebista, cuja ex-mulher e aliada, Teresa Surita, é prefeita de Boa Vista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.