ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO
ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

Jucá chama autor de denúncia contra ele no Conselho de Ética de 'bandido e desqualificado'

Ex-ministro voltou ao Senado e criticou o conterrâneo Telmário Mota (PDT), seu adversário em Roraima; senador prometeu se defender no plenário na quarta-feira, 25

Igor Gadelha e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 12h45

BRASÍLIA - O senador Romero Jucá (PMDB-RR) chamou nesta terça-feira, 24, o senador Telmário Mota (PDT-RR) de "bandido" e "desqualificado". Adversário político de Jucá em Roraima, o parlamentar pedetista protocolou mais cedo, em nome de seu partido e junto ao presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, representação contra o peemedebista no Conselho de Ética do Senado. Ele acusa Jucá de quebrar o decoro parlamentar ao tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

"Qualquer representação é legítima. Agora, se nós formos ver os autores, um dos autores é um bandido, que a mulher está sendo presa hoje, provavelmente, porque roubou dinheiro na Assembleia Legislativa para sustentá-lo. Portanto, ele é um desqualificado. E o outro é o Carlos Lupi (presidente nacional do PDT), que não merece nenhum tipo de comentário. Então partindo do PDT qualquer tipo de representação, considero uma brincadeira", disse Jucá, sem dar detalhes das acusações. 

Condenada na mesma investigação que prendeu o ex-governador Neudo Campos nesta segunda, a médica Suzete Macedo, esposa de Telmário, está foragida.

Na representação protocolada nesta terça, Telmário usa como embasamento trechos da conversa entre Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado (PMDB-CE) divulgados na segunda, 23, pelo jornal Folha de S. Paulo. No diálogo, o senador peemedebista propõe um "pacto" do governo Michel Temer para estancar as investigações da Lava Jato. A conversa acabou provocando a saída do parlamentar do Ministério do Planejamento.

Defesa no Plenário. Jucá afirmou que irá se defender na quarta, 24, no plenário do Senado das acusações que vem sofrendo após o vazamento do áudio de uma conversa com o ex-senador e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. "Tratarei amanhã no discurso do plenário do Senado (as acusações) e estarei à disposição para debater", afirmou.De acordo com Jucá, a conversa com Machado ocorreu "de manhã cedo", em sua residência, em Brasília, enquanto tomava café. Na conversa, o senador afirma que os dois também falaram sobre outros assuntos políticos e econômicos, entre eles, o processo de "remontagem" do PMDB.  

Jucá manteve o discurso de que não fez nenhuma ação para impedir a Lava Jato. "Falei com ele (Machado) apenas como senador da República", disse antes de reforçar que não cometeu nenhum ato de irresponsabilidade. O senador  evitou criticar diretamente Machado pela divulgação do áudio. Na avaliação do senador, cabe ao o ex-presidente da Transpetro explicar as gravações. "Se ele teve a capacidade de gravar várias pessoas da forma que gravou, não me cabe discutir (nos bastidores, fala-se que ele gravou o presidente do Senado, Renan Calheiros). Não vou avaliar o comportamento de ninguém. Portanto, se ele tomou essa posição, ele que deve explicar", disse.

PGR. O ex-ministro disse ainda que encaminhou ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, uma correspondência onde solicita informações sobre possíveis crimes em sua fala com Machado. "Falei para o presidente em exercício, Michel Temer, que me afastei do ministério enquanto a PGR não responder essa questão", frisou.

Meta. Um dos articuladores da nova meta fiscal proposta pelo governo, que pede autorização ao Congresso para fechar o ano com um déficit de R$ 170,5 bilhões no governo central, Jucá reforçou que nesta terça o Congresso precisa discutir "uma mudança de paradigma e de posição".

Segundo ele, o governo que era comandado pela presidente afastada Dilma Rousseff mentiu à sociedade com a meta fiscal que enviou ao parlamento e classificou como "golpe eleitoral" os feitos de Dilma. "Estou aqui hoje para dizer que essa meta fiscal é um numero realista e responsável", destacou.

Jucá defendeu que a meta proposta por ele e pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, permitirá a retomada dos investimentos como o do rio São Francisco e de adutoras de água no Nordeste. "Vamos discutir questões técnicas, as questões políticas da minha postura farei amanhã no plenário do Senado", finalizou seu discurso na tribuna do Congresso.  / COLABORARAM RACHEL GAMARSKI E JULIA LINDNER

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