BETO BARATA|DIVULGAÇÃO
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Temer: Jucá ainda não teve morte política e nem civil decretada

Presidente concede entrevista para o programa 'Roda Viva', da TV Cultura, nesta segunda-feira, 14

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2016 | 22h43

O presidente Michel Temer (PMDB) afirmou a jornalistas, no início da entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira, 14, que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) ainda não teve a morte política e nem civil decretada e que não haveria problema em assumir a liderança do governo no Senado, mesmo após deixar o ministério do Planejamento sob denúncias. “Ele é senador, deixou o governo e não foi demitido. É senador, fez trabalho excepcional. Ainda não teve morte política e nem civil decretada”, disse Temer.

Temer também afirmou que deve deixar o Judiciário exercer o seu papel nas investigações, ao comentar a Operação Lava Jato. Em seguida, Temer disse que não tem preocupações em perder seu cargo em razão das investigações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a formada por ele e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014. “Acredito piamente que a figura do presidente da República e do vice são apartadas. As contas são julgadas juntamente e prestadas em apartado”.

O presidente evitou cravar se será ou não candidato à reeleição em 2018. Ele afirmou que chegou à presidência da República pelas vias constitucionais, em condições dificílimas, “com um País quase à beira de um precipício econômico”. Em seguida, disse que tomou medidas para a crise e que o sonho dele é trilhar os dois anos e dois meses que ainda restam do governo e ouvir que colocou o País nos trilhos.

Temer disse que quem exerce a Presidência da República tem de fazer aproximação grande com o Congresso, como, segundo ele, foi feita após assumir o cargo. Ele citou vários projetos aprovados na Câmara e no Senado sob o seu comando, como a mudança no déficit primário e a Desvinculação das Receitas da União (DRU), que estava “parada há 10 meses e foi aprovada em um mês e meio na Câmara e no Senado”, entre outras.

O presidente admitiu durante a entrevista ter recebido uma visita do empresário Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato, no Palácio do Jaburu, então sua residência oficial de vice-presidente, durante a campanha de 2014, na qual foi oferecida uma doação de R$ 10 milhões. Temer disse que a doação foi feita para o PMDB e que foi legal, negando os possíveis desvios de recursos ou irregularidades na doação.

“Quando pega a contabilidade do PMDB você vê que tem R$ 10 milhões do PMDB. Não há absoluta comprovação de que houve irregularidade na doação”, afirmou Temer.

Temer defendeu uma repactuação federativa que dê mais forças aos Estados e menos ao governo federal. Ele disse que já conversou sobre o tema com a presidente do Superior Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, e emendou: “a grande concentração é da União”.

Em seguida, Temer disse que já estabeleceu o Orçamento do ano que vem levando em conta a PEC do Teto dos Gastos, e admitiu que como os “Estados estão em dificuldade extraordinária, podemos ajudá-los”, citando os R$ 20 bilhões que poderiam sobrar na repactuação feita recentemente.

O presidente afirmou ainda que se fizesse intervenção no Rio, assunto que chegou a ser levantado, mas não discutido, paralisaria o Congresso. “Nossa intenção é auxiliar o Estado do Rio de Janeiro como já fizemos com R$ 2,9 bilhões (para as Olimpíadas)”, disse. “Vamos auxiliar o Rio de Janeiro e verificar como socorrer outros Estados”, completou.

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