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J.R.Guzzo: Separando o bem do mal

No atual conflito EUA x Irã, o lado certo é o dos americanos, que estão usando a força das armas para combater um agressor

J.R.Guzzo, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 17h49

Vai ser muito difícil entender – não julgar, apenas entender – o atual conflito entre Estados Unidos e Irã, que chegaram a nos apresentar como o prefácio da Terceira Guerra Mundial, sem levar em conta, antes de qualquer outra coisa, que há nisso tudo um lado certo e um lado errado. O lado certo é o dos Estados Unidos. O lado errado é o do Irã. Os Estados Unidos fazem o bem porque combatem a agressão. O Irã faz o mal porque é o agressor. A partir daí ficam abertas, à disposição do público em geral, mil e uma considerações das mais diversas ordens. Não há problema nenhum, é claro, em discutir cada uma delas – mas não será possível concluir nada de útil se a conversa esquecer que uma das partes tem razão e a outra não tem. Os americanos estão usando a força das armas para combater um agressor – e quem mostra ao agressor que ele terá de pagar um preço pela agressão, e que não deve mais esperar “negociações” para debater os crimes que comete, está agindo em favor da paz.

Tente esquecer por uns minutos que o presidente dos Estados Unidos é Donald Trump, uma figura que todo leitor, de qualquer lugar do mundo, tem o pleno direito de detestar – como, também, de admirar ou de não achar nada. O fato de Trump ser Trump não melhora em um único átomo as ações que o Irã vem praticando ao longo dos últimos dez ou vinte anos. Apenas para ficar nos mais recentes, atacou um campo de petróleo na Arábia Saudita, um claro ato de guerra, lançou mísseis sobre o Iraque e continua praticando ações de genocídio na Síria, onde já expulsou de suas casas, em parceria direta com o governo-fantoche do país, 10 milhões de pessoas e matou pelo menos 500.000 outras na ultima década. Além disso, interfere com milícias armadas e material de guerra em países como o Líbano, trabalha para equipar-se com bombas atômicas e tem como política oficial a extinção do Estado de Israel e de seus 9 milhões de habitantes. Internamente, é uma tirania insana que pune mulheres com chibata e apedrejamento, e enforca homossexuais em praça pública. Para completar, executa, organiza e paga atos de terrorismo em toda a região e no resto do mundo. Se a soma de tudo isso não faz do Irã um país agressor, fica aberto o debate para se achar o significado da palavra “agressão”.

O Irã, como tanto se escandalizam militantes do campo anti-imperialista e seus aliados liberais, não é “um país soberano atacado em tempo de paz” – é um país em guerra declarada com todos os que considera inimigos. As tentativas de “solução diplomática”, “diálogo a nível político”, “negociações”, etc. não serviram até hoje para absolutamente nada. Só serviram para o Irã agredir cada vez mais, matar aqueles 500.000 infelizes na Síria e assassinar ou mutilar milhares de outros na sua “zona de influência”. A morte de seu terrorista-chefe, após anos de hesitação e busca de soluções “negociadas”, veio tarde demais para as suas vítimas. Mas agora o governo iraniano está informado, claramente, que há um preço a pagar pelos crimes que comete. Pode continuar – mas nada será mais de graça.

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