Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

J.R. Guzzo: Preste atenção no ‘fator humano’

Se você acha que está ouvindo bobagem demais, é quase certo que esteja com a razão  

José Roberto Guzzo, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 17h56

Veículos de comunicação, como todas as entidades sujeitas às incertezas do “fator humano”, oferecem necessariamente ao público informações corretas e pontos de vista lógicos e, ao mesmo tempo, o exato contrário de uma coisa e de outra. A data da publicação, em geral, está certa. Há quase certeza, também, quanto aos resultados dos jogos de futebol – e nos tempos em que havia as seções de “Turfe” (hoje, possivelmente, seriam chamadas de “editorias), o vencedor do quinto páreo, por exemplo, era o cavalo que tinha chegado em primeiro lugar no quinto páreo. Mas praticamente todo o resto é território não mapeado, onde qualquer coisa pode acontecer – do certíssimo ao absolutamente errado.

A única sugestão prática que se pode fazer ao público, a esse respeito, é a seguinte: vá contabilizando quantas informações certas e quantas informações erradas (ou que depois acabam se mostrando erradas) você recebe. Se estiverem lhe servindo mais erro do que acerto, troque de veículo. A mesma coisa vale para as opiniões, análises e comentários. Se você acha que está ouvindo bobagem demais, é quase certo que esteja com a razão – nesse caso, confie na sua própria lógica e trate de tentar ler, ver e ouvir coisas que façam mais sentido.

Dá para entender, por exemplo, que os tumultos do Chile, com destruição, mortes e incêndios de estações do metrô sejam chamados de “protestos em favor de melhorias no padrão de vida da população”? E dá para entender, na mesma toada, que as manifestações de rua no Brasil contra ministros do STF e a favor da luta contra a corrupção, nas quais não se derruba um pedaço de papel no chão, sejam chamadas de “antidemocráticas”, “autoritárias” e “fascistas”? É o fator humano, citado lá no começo. Preste atenção a ele.

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