Jovens iniciam vida sexual mais cedo, aponta pesquisa

Uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgada hoje, revela que a iniciação sexual acontece cada vez mais cedo. Os garotos têm a primeira relação entre os 13,9 e os 14,5 anos e as meninas entre os 15,2 e os 16 anos.O levantamento faz parte de livro organizado por Miriam Abramovay, Mary Castro e Lorena Bernadete da Silva, para o qual foram ouvidos 16.422 alunos de escolas públicas e privadas de 13 capitais brasileiras e do Distrito Federal, entre 10 e 24 anos. Também foram entrevistados pais e professores de ensino fundamental e médio.O estudo também mostra mudanças de comportamento quanto à importância da virgindade. Os homens tendem a dar menos importância à virgindade que as mulheres. Em média, 68% afirmam não dar importância a essa questão. Quando o assunto é a virgindade masculina, o resultado é inverso: mais homens se mostraram favoráveis à virgindade até o casamento do que as mulheres.PreconceitosA pesquisa revela também que os jovens têm preconceitos comuns aos observados durante a pré-revolução sexual: cerca de um quarto dos entrevistados não gostariam de ter um colega de classe homossexual. A homofobia também existe entre os pais. Em Fortaleza (CE), os que mencionam que não gostariam que seus filhos estudassem com homossexuais chega a 48%. O menor índice foi registrado em Porto Alegre (RS), 22%.A gravidez em adolescentes e, principalmente, o fato de elas assumirem sozinha um filho é outro tabu no país. Dos estudantes ouvidos, entre 2,2% e 4,7% afirmaram que não gostariam de ter como colegas de classe mães solteiras. "Aparentemente, tais proporções parecem baixas, contudo são preocupantes, tratando-se de preconceitos", afirmam as coordenadoras da pesquisa.Entre os pais, o preconceito é maior, sendo que 7,5% declararam ser contrários à idéia de que seus filhos estudem junto com mães solteiras. A taxa de abandono dos estudos por causa da gravidez é maior em Belém (6%) e Macapá (6,1%). Nas outras capitais, o índice varia de 3,5% a 0,2%.Diferenças regionaisMiriam Abramovay , uma das idealizadoras do projeto, destaca que o resultado da pesquisa é um retrato dos valores, experiências, apreensões e dificuldades vividas pelos jovens. "Precisamos ter cuidado com os resultados médios. Há muitas diferenças regionais", adverte.O levantamento teve o apoio do Ministério da Educação, Ministério da Saúde, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e Instituto Ayrton Senna. As informações são da Agência Brasil.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.