Jovens farão serviço militar dentro da própria escola

Para participar de um projeto piloto coordenado pelo Comando Militar do Sudeste, 176 estudantes tiveram as cabeças raspadas e experimentaram suas fardas. Durante os próximos cinco meses eles vão cumprir o serviço militar obrigatório em horários alternativos, dentro do próprio colégio e antes de completar 18 anos. O projeto se chama Escola Superior de Instrução Militar (ESIM) e há quatro escolas credenciadas.Elas cedem as salas onde os alunos têm noções de primeiros socorros, topografia e civismo e conhecem a estrutura do Exército.Os jovens só deixam o colégio para aprender a marchar e a manejar armas, participar de um acampamento durante as férias e visitar a Assembléia Legislativa, a Câmara Municipal e várias instituições militares.Condecoração - Ao final do curso, em agosto, eles são condecorados atiradores (que não chegam a ser soldados) e se tornam reservistas. "Eles recebem apenas a instrução básica", explica o coronel José do Carmo Rodrigues, assistente da coordenação da Esim. "É a forma que o Exército encontrou para permitir que os jovens possam trabalhar ou estudar sem deixar de servir o País."Criado em 1997, o projeto envolve a Escola Técnica Federal, o Colégio Anglo Latino, a escola que a Fundação Bradesco mantém na Cidade de Deus, em Osasco, e o estreante Colégio Farroupilha, de Porto Alegre. As instruções ocorrem à tarde ou de manhã. Os voluntários fazem testes de admissão físicos e psicotécnicos, iguais aos dos candidatos a soldados. "A procura era muito grande", diz a professora Deborah Quenzer, da Escola Técnica.Durante a primeira semana do curso as atividades são diárias. Ontem, os novos militares de São Paulo se apresentaram para raspar o cabelo e receber as primeiras orientações e duas fardas, uma nova e uma usada, além do uniforme para educação física.Márcio de Marco, do terceiro ano do Anglo, reagiu bem ao corte de cabelo. O pré-vestibulando de Medicina não acredita que o serviço militar vá impedir que ele volte a raspar a cabeça no começo do ano que vem. "Acho que vai ser legal. Vou aprender a mexer com armas sem deixar de estudar", diz. Para o diretor do Anglo, Sérgio Arcuri, A ESIM muda a forma como os jovens vêem o Exército. "Quem passa pela escola rompe com o tabu de que o serviço militar é perda de tempo."

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