Jovens farão combate a drogas em escolas paulistanas

Escolas particulares brasileiras estão importando um programa norte-americano de combate às drogas, com o diferencial de que a negociação será bancada pelos próprios Estados Unidos. O projeto vai ser apresentado no Congresso e Feira de Educação Saber, que começa nesta quinta-feira, reunindo professores diretores e donos de colégios.Jovens norte-americanos já estão no País para treinar adolescentes brasileiros a convencer amigos e colegas a ficar longe das drogas, do álcool e do cigarro. A método é justamente esse: jovens, por meio do teatro, da música, dos jogos, falam para outros jovens sobre os benefícios de se viver sem vícios.O programa, conhecido como Pride (sigla em inglês que significa instituto de combate às drogas organizado por pais de alunos), existe nos EUA há 25 anos e atinge cerca de 6 milhões de adolescentes, em mais de 6 mil escolas.ProfissionaisContatos com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) trouxeram o projeto para o Brasil - começará em 15 escolas da capital paulista. A verba para os primeiros três anos de execução veio junto. O próprio Pride - que recebe doações de empresas dos EUA - vai bancar o início do programa aqui. "Para dar continuidade, vamos tentar conseguir contribuições de empresas americanas com filiais no País", diz o presidente do Pride no Brasil, Marum David Curi. "Os traficantes são profissionais e as famílias, amadoras. Temos de começar a agir também como profissionais".Para esse trabalho, foram escolhidos os primeiros 200 estudantes, de 12 a 14 anos, que passarão por dois dias de treinamento este mês. "A diferença é que o adulto dá sermão e o jovem conversa", afirma uma aluna do Colégio Morumbi Sul, Regiane Silva Teles, de 14 anos, uma das selecionadas. Entre as características comuns aos estudantes que participarão do programa estão a prática de esportes, a liderança entre os colegas e a expansividade.Linguagem universalO norte-americano Robert Peterson, diretor internacional do Pride, acredita que, mesmo com as diferenças culturais entre os países, o programa deve vingar no Brasil. "Os jovens falarão a linguagem universal da música, da dança, do teatro e da descontração", diz Peterson. "Não viemos para o País achando que temos resposta para tudo, viemos somar experiências."Outras escolas que se interessarem pelo projeto deverão entrar em contato com o Sieeesp. O Pride brasileiro tem ainda a ambição de não ficar apenas na rede particular de ensino. "Cada escola deverá adotar outra, que seja pública, para inserir o programa", afirma Curi.Este mês foram presos 66 traficantes que vendiam maconha crack e cocaína em portas e nas proximidades de escolas públicas e particulares. Desde o início da operação Escola Segura, do Departamento Estadual de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc), já são 145 flagrantes e 187 presos. O mapa da droga nas escolas apontou problema em 150 unidades e a polícia recebe em média 15 denúncias por dia. ImprensaO Congresso Saber está na sexta edição e reunirá, até sábado, cerca de 10 mil educadores no Palácio de Convenções do Anhembi, na capital paulista. Serão aproximadamente cem palestras e debates sobre temas como a formação do professor, a inclusão de alunos portadores de deficiências nas escolas e as inovações tecnológicas a serviço da educação.Uma das atividades de sexta-feira é a mesa de debates sobre o papel da imprensa na educação, que contará com a presença dos jornalistas do Grupo Estado José Maria Mayrink e Leonardo Trevisan. A discussão vai ser sobre o caráter educativo de jornais e revistas. Além do congresso, o Saber terá feira de produtos ligados à educação, como móveis escolares, softwares e livros.

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