Jovem de classe média do Sudeste é o mais insatisfeito

Se fosse possível traçar um perfil único para o antidemocrata, ele seria um jovem morador do Sudeste com escolaridade e renda médias. Esses são os grupos demográficos em que o maior porcentual de pessoas declarou que, dependendo das circunstâncias, um regime autoritário é preferível à democracia. Atualmente, eles representam 20% dos eleitores - eram 17% em 2007, e têm uma leve tendência de crescimento desde então.

José Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2014 | 02h02

O recorte em que há um grupo em que os antidemocráticos mais se destacam é o geográfico. No Sudeste, 42% dos eleitores dizem que a democracia é preferível a qualquer forma de governo - no Sul, como comparação, 56% acham o mesmo, com Norte/Centro-Oeste e Nordeste entre os dois extremos. Enquanto isso, 23% dos moradores do Sudeste podem preferir um governo autoritário a depender das circunstâncias, quase dez pontos a mais que no Sul (15%).

Essa diferença chama ainda mais atenção pois, na média, pessoas de maior renda e escolaridade tendem a ser mais favoráveis à democracia. Como o Sudeste está na frente do Nordeste e do Norte nesses quesitos, era razoável esperar que fosse mais favorável a essa forma de governo. "Entender esse fenômeno dependeria de uma análise mais aprofundada dos números. Mas, por outro lado, é justamente de São Paulo e do Rio que vêm os questionamentos mais fortes ao regime", diz Cláudio Couto, da FGV.

Os dados mostram que quem tem renda e escolaridade mais baixa tende a ter mais dificuldade de responder a essa pergunta e fica sem dar sua opinião. Algo parecido acontece em relação à idade. Quem não chegou aos 24 anos de idade tem maior tendência a se polarizar entre democráticos e antidemocráticos, o que faz esse último grupo atingir a maior proporção nessa faixa etária.

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