Jospin é vaiado por manifestantes pró-CPI

O primeiro-ministro da França, Lionel Jospin, foi vaiado hoje diante da Catedral de Brasília, um dos monumentos históricos da capital federal. Após almoço oferecido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Itamaraty, o premier francês fez um passeio pela cidade. Ao chegar à Catedral, há poucos metros de distância do Itamaraty, Jospin e comitiva tiveram contato direto com manifestantes da marcha organizada pelos partidos de oposição em defesa da chamada CPI da Corrupção.Jospin foi xingado e cercado por participantes do protesto, mas não houve nenhum incidente. "Bom dia, eu sou francês", disse Jospin a uma das manifestantes que encontrou pelo caminho. O primeiro-ministro francês não perdeu o bom humor nem demonstrou preocupação diante do assédio dosmanifestantes."Isso é normal em um país democrático, na França as manifestações estão em toda parte", reagiu Daniele Fraget, chefe-de-gabinete do premier. O dois deixaram a Catedral e seguiram em direção a outros pontos turísticos da capital federal. "É magnífica mesmo", disse Jospin, sobre Brasília.O protesto da oposição causou constrangimento ao governo brasileiro e obrigou o Itamaraty a reforçar o esquema de segurança e deslocar a entrada das autoridades e convidados para a portaria lateral do palácio. Já pela manhã, a marcha desceu a Esplanada dos Ministérios e passou pelo Palácio do Planalto minutos antes da cerimônia de boas-vindas ao premier francês. Na hora do almoço, já concentrados no gramado do Congresso, os manifestantes estavam exatamente de frente para o Itamaraty, no lado oposto da Esplanada. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, ignorou os protestantes, entrou pela porta da frente, mas foi vaiado ao chegar para o almoço. As outras autoridades, incluído o presidente Fernando Henrique, entraram e saíram pela portaria lateral para evitar os manifestantes. "Nós íamos lá conversar com eles", brincou o ministro da Previdência, Roberto Brant, ao deixar o Itamaraty. Acompanhado do ministro das Comunicações, Pìmenta da Veiga, o político mineiro se encaminhou para a porta dianteira do palácio, que fora fechada pela segurança. Um agente indicou-lhes a saída lateral.

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