José Serra critica reajustes de servidores federais

Segundo o governador, ele não elevou vencimentos dos servidores paulistas nem o fará agora, em meio à crise

Anne Warth e Ricardo Leopoldo, Agência Estado

13 de abril de 2009 | 16h00

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), criticou nesta segunda-feira, 13, a política do governo federal de concessão de aumentos salariais ao funcionalismo e elevação das contratações, com boa parte dos cargos em comissão, sem concurso público. Segundo ele, sua administração não elevou os vencimentos dos servidores paulistas nem o fará agora, em meio à crise financeira internacional. "Diferentemente do governo federal, que programou aumentos fortíssimos para quando o pessoal não estiver mais lá, nós não fazemos isso", afirmou.

Contumaz crítico da condução da política monetária pela diretoria do Banco Central, comandada por Henrique Meirelles, o governador de São Paulo também mostrou-se impaciente com a demora das ações da autoridade monetária para diminuir os efeitos da recessão mundial no Brasil, especialmente com a retomada do crédito às empresas e famílias. "O problema crítico número um da economia brasileira é o crédito. E isso é muito mais grave no caso das micro, pequenas e médias empresas", comentou.

Serra repetiu que o governo federal "entrou atrasado" na adoção de medidas de política monetária para atenuar os efeitos da crise internacional sobre a economia do País. "Sem dúvida, no enfrentamento da crise, o Brasil entrou muito atrasado. O BC entrou tardíssimo no assunto, pois esperou seis meses para fazer alguma coisa. Isso é fato inédito no mundo. Pode entrar para o Guinness em recorde mundial por não fazer nada diante de uma crise internacional deste tamanho", comentou, referindo-se ao livro de recordes Guinness.

"(O governo) falhou na política monetária e ainda mantém os maiores juros do mundo, na contramão do que o mundo inteiro está fazendo", observou. "Essa foi a questão fundamental, um diagnóstico que aqui todos compartilham. (O BC) em vez de por diques para amenizar o temporal, botou ventiladores para a absorção da crise internacional. Não foi a intenção, mas na prática foi o que aconteceu."

Para o governador, entre os fatores que ajudaram a não prejudicar ainda mais o País durante a crise está a depreciação do real ante o dólar registrada entre setembro e dezembro de 2008. "O câmbio, que estava hipervalorizado, acabou sendo desvalorizado sem impacto inflacionário por causa da deflação das commodities. No entanto, o impacto da crise foi dos mais adversos do mundo", ressaltou.

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