José Sarney questiona interpretação sobre discurso no Senado

Para senador "atualmente existe um conflito sobre quem é o representante do povo: o parlamento ou a mídia"

estadao.com.br,

16 de setembro de 2009 | 16h58

Um dia depois de o presidente da Senado, José Sarney (PMDB-AP), declarar no plenário que "a mídia é inimiga das instituições representativas", a Secretaria de Imprensa da Presidência publicou nota questionando a interpretação que alguns veículos de imprensa deram ao discurso do senador. Na sessão de homenagem ao Dia Internacional da Democracia, Sarney disse que "atualmente existe um conflito sobre quem é o representante do povo: o parlamento ou a mídia".

 

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linkLeia discurso de José Sarney sobre o Dia da Democracia

 

"A tecnologia levou os instrumentos de comunicação a tal nível que, hoje, a grande discussão que se trava é justamente esta: quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós; e dizemos nós, representantes do povo: somos nós. É por essa contradição que existe hoje, um contra o outro, que, de certo modo, a mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas. Isso não se discute aqui, não estou dizendo isso aqui, estou repetindo aquilo que, no mundo inteiro, hoje, se discute", disse o presidente do Senado.

 

Ainda em discurso, Sarney disse que a diferença entre os três Poderes é que, enquanto os Poderes Executivo e Judiciário tomam decisões solitárias, "o Legislativo o faz às claras". Recentemente, Sarney foi alvo de ações no Conselho de Ética que o responsabilizavam pela edição de centenas de atos secretos, que foram editados no Senado para contratar parentes de senadores, aumentar rendimento de servidores e criar cargos sem conhecimento público. As ações foram arquivadas.

 

Leia abaixo a íntegra da nota:

 

Ao contrário do que alguns veículos da imprensa repercutiram, o discurso do presidente se restringiu à apresentação teórica sobre o antagonismo do imediatismo da mídia eletrônica ao prazo dos mandatos parlamentares.

 

No Dia da Democracia (15 de setembro), o presidente do Senado, senador José Sarney, subiu à tribuna para prestar uma homenagem ao regime que voltou a vigorar no país desde 1985 e fazer um alerta: o sistema político-eleitoral brasileiro está exaurido, assim como acontece em democracias mais antigas mundo afora. É preciso que o Congresso Nacional assuma suas responsabilidades e promova a tão aguardada reforma política, introduzindo o Parlamento brasileiro no debate iniciado nos principais países da Europa desde a última década do século passado.

 

A raiz da discussão sobre os rumos que a democracia tomará no mundo é a internet, a nova sociedade da comunicação, que, segundo estudiosos do tema, contrapõe o imediatismo da mídia eletrônica ao prazo dos mandatos parlamentares, tornando-os defasados, envelhecendo as bandeiras pelas quais foram eleitos. Era a este conflito que o senador José Sarney se referia, reportando a tese que se alastrou no mundo.

 

Ao contrário do que alguns veículos de imprensa reproduziram, não havia no discurso do presidente nada além de uma apresentação teórica, nenhum desejo de contextualização ou dirigismo, mas o pressuposto de que a mídia brasileira vinha acompanhando o vigoroso debate internacional.

Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado

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