Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

José Roberto Guzzo estreia no domingo coluna no ‘Estado’

Jornalista, que passou por ‘JT’, ‘Veja’ e ‘Exame’, vai escrever semanalmente sobre cenário político e econômico do País

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2019 | 04h00

O jornalista José Roberto Guzzo, um dos profissionais mais respeitados da imprensa brasileira, faz a sua estreia como colunista do Estado neste domingo. Em sua coluna, que será publicada semanalmente, Guzzo deverá analisar o cenário político e econômico do País, com o mesmo olhar apurado e singular pelo qual se tornou conhecido do público. 

“O que mais me chama atenção hoje é que existem dois países: um Brasil real e um Brasil imaginário”, afirma. “O Brasil real é o Brasil que trabalha, que produz, pujante, que demonstra isso com fatos, resultados. O Brasil imaginário é o País da crise diária, onde tudo é problema, motivo de impeachment do presidente, motivo para o fim do mundo. Esse é um Brasil que, na minha opinião, é falso, não chega às pessoas, porque elas não se importam com ele.” 

Guzzo diz que pretende seguir os mesmos princípios que sempre procurou aplicar em seus textos: “1) buscar a clareza máxima, para o leitor não ter de ler a mesma linha duas vezes; 2) lidar só com fatos e com pouco ‘eu acho’; e 3) aceitar a lógica, que hoje as pessoas não respeitam mais, como dizer que dois mais dois são quatro, que o triângulo tem três lados e que 1º de novembro vem depois de 31 de outubro”. 

Dono de um texto primoroso, marcado por fina ironia, e com uma capacidade invejável de falar com simplicidade sobre acontecimentos complexos, Guzzo, de 76 anos, iniciou sua carreira como repórter do jornal Última Hora de São Paulo, em 1961. Cinco anos depois, foi trabalhar no Jornal da Tarde, que acabara de ser lançado pelo Grupo Estado, do qual foi correspondente em Paris. “Eu trabalhei séculos atrás, no começo da minha carreira, no lançamento do JT, e agora estou voltando, com essa coluna no Estado, que muito me honra, como um colaborador”, afirma. “É um ciclo que se completa.” 

Foi na Editora Abril, porém, que Guzzo trabalhou a maior parte de carreira. Em 1968, fez parte da equipe fundadora da Veja, como editor de Internacional, e depois foi correspondente em Nova York. Cobriu a guerra do Vietnã e acompanhou a visita pioneira do então presidente americano, Richard Nixon, à China, em 1972. Foi o único jornalista brasileiro presente ao encontro de Nixon com o líder chinês Mao Tsé-Tung

Em 1976, aos 32 anos, Guzzo assumiu a direção da Veja, que ocupou durante quinze anos. Neste período, a publicação saiu do vermelho e sua circulação passou de 175 mil exemplares para quase 1 milhão, o que a levou ao quarto lugar no ranking das maiores revistas semanais de informação do mundo, atrás apenas das americanas Time e Newsweek e da alemã Der Spiegel. Por sua habilidade de transformar um texto enfadonho em algo agradável de ler apenas com retoques pontuais, ganhou o apelido de “mão peluda” na redação. 

Em 1988, passou a acumular a direção da Veja com o cargo de diretor-geral da Exame, encarregado de reinventar a revista. Deixou a Veja em 1991, encerrando um ciclo na revista. Depois de um ano sabático, voltou à ativa, dedicando-se exclusivamente à Exame, primeiro como diretor editorial e depois como publisher. Nos 11 anos em que esteve à frente da revista, transformou-a na publicação mais rentável, em termos relativos, da Abril. Nos últimos anos, foi colunista da Veja e da Exame

Na visão de Guzzo, um jornalista, para ser um bom profissional, “tem de dedicar todo o seu esforço para produzir matérias que o leitor comece a ler, tenha vontade de continuar lendo e só pare quando chegar ao fim”. A mesma recomendação vale para os jornalistas de rádio e TV. 

“Se ele não conseguir interessar o público naquilo que escreve, fala ou mostra, o jornalista fracassou”, afirma. “A única medida de seu é qual o julgamento que o leitor faz dele”.

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