José Roberto Arruda faz acareação com Durval Barbosa no DF

Acareações ocorreram dentro do processo que apura o envolvimento dos promotores Leonardo Bandarra e Deborah Guerner com o esquema do 'mensalão do DEM' no DF

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2010 | 12h47

O ex-governador José Roberto Arruda fez na manhã desta quinta-feira uma acareação com Durval Barbosa, que delatou o esquema de corrupção em seu governo no Distrito Federal. Arruda também ficou frente a frente com o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra. As acareações ocorreram dentro do processo disciplinar do Conselho Nacional do Ministério Público que apura o envolvimento dos promotores Leonardo Bandarra e Deborah Guerner com o esquema do "mensalão do DEM" no DF.

 

Num clima tenso, Sombra confirmou, na acareação, que ouviu do próprio Arruda que havia um pagamento de propina à Bandarra para que o Ministério Público do DF não criasse problemas a seu governo. "Eu só falei o que ele (Arruda) disse, o que ouvi", disse Sombra ao Estado. O jornalista disse que foi "encarado" por Arruda na acareação. "Ele ficou me encarando e eu o encarei também", disse.

 

Bandarra era o procurador-geral de Justiça local - cargo que chefia o MP de Brasília - até junho deste ano. Deborah Guerner era seu braço direito e teria feito a ponte das negociações de propina com Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo de Arruda. Em depoimento ao Ministério Público, Durval afirmou que Bandarra recebia R$ 150 mil mensais de propina do governo local. Em cima das acusações, o CNMP abriu investigação disciplinar que poderá levar à expulsão deles dos quadros do Ministério Público.

 

Um inquérito corre no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o esquema de corrupção do DF. O escândalo do "mensalão do DEM", como ficou conhecido o esquema, foi revelado em novembro passado na Operação Caixa de Pandora. Arruda chegou a ser preso, saiu do DEM e foi cassado pela Justiça Eleitoral. Em agosto, a Polícia Federal concluiu o relatório final que aponta Arruda como o chefe de uma "organização criminosa" para desviar recursos públicos por meio de empresas contratadas pelo seu governo. A conclusão da PF afirma que Arruda e seus aliados se enquadram em "formação de quadrilha" e "corrupção passiva" para obter "vantagens espúrias".

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