José Rainha diz querer trabalhar pela anistia de Dirceu

O líder José Rainha Júnior disse nesta segunda-feira, 19, que pretende assumir uma das coordenações da campanha pela anistia do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT-SP). Dirceu pretende recuperar os direitos políticos apresentando à Câmara um projeto de iniciativa popular, que precisa de 1,5 milhão de assinaturas.Rainha garantiu que, apenas no oeste de São Paulo, onde milita à frente de 13 acampamentos e dezenas de assentamentos, tem condições de angariar 200 mil assinaturas para que o projeto seja votado no Congresso Nacional. "Se ele der o sinal verde, coloco 6 mil pessoas na rua para puxar assinaturas", disse. O líder dos sem-terra viajou para São Paulo onde deve participar esta noite de uma festa pelo aniversário do ex-ministro, no bairro Pinheiros. "Só ele falar, e já volto com o pessoal todo mobilizado." Rainha considerou a cassação de Dirceu uma "covardia política", pois nada teria ficado provado contra ele. "O Zé Dirceu é um herói que resistiu à ditadura, por isso é perseguido pelas elites. Mas o povo está com ele." Rainha aposta que o ex-ministro terá restabelecidos seus direitos políticos para voltar à Câmara dos Deputados nas eleições de 2010. A campanha pró-anistia foi concebida pelo próprio Dirceu para tentar aprovar no Congresso Nacional um projeto que lhe restitua os direitos políticos. Acusado de envolvimento no "mensalão", ele foi cassado pela Câmara em 2005.PerfilCassado em 1º de dezembro de 2005, sob suspeita de envolvimento no esquema do mensalão, José Dirceu perdeu os direitos políticos e ficou inelegível até 2015. O ex-ministro nega a acusação e diz que as investigações não levantaram provas documentais contra ele.O deputado cassado tem planos de voltar à cena política e vem articulando sua anistia ainda este ano. Dirceu depende de um projeto de lei que precisa ser apresentado na Câmara. A proposta pode ser de um deputado apenas ou da sociedade - como planeja o ex-ministro. O ex-ministro da Casa Civil foi homem forte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 1º de janeiro de 2003 a 16 de junho de 2005, quando pediu demissão do cargo e voltou à Câmara como deputado eleito por São Paulo. A demissão de Dirceu aconteceu porque seu nome estava envolvido no escândalo do mensalão - quantia paga a deputados para votarem a favor de projetos do governo - denunciado pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB). Aliado do governo, Jefferson decidiu "abrir a boca" depois que apareceu envolvido em denúncias de corrupção nos Correios e em outras estatais. Dirceu não ficou muito tempo na Câmara. Seis meses depois, teve seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar e tornou-se inelegível até 2015. O caso do ex-ministro também foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF) com a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Além de Dirceu, considerado um dos líderes do que Antonio Fernando classificou de "organização criminosa", outros quarenta supostos participantes do esquema do mensalão também foram denunciados.

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