José Dirceu defende novo modelo econômico no Brasil

O presidente virtualmente reeleito do PT, deputado José Dirceu (SP), defendeu esta manhã uma mudança do modelo econômico do País. "O Brasil precisa diminuir radicalmente sua dependência de capitais externos, voltar-se para seu mercado interno, que é seu potencial extraordinário, reorganizar o financiamento de sua economia", afirmou Dirceu, em entrevista ao programa "Bom Dia, Brasil". Segundo ele, "o País precisa ter capacidade de investimentos, poupança pública e privada?. ?E nós temos que combater a pobreza no Brasil e voltar a crescer, substituir importações - petróleo, eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos do setor químico. E precisamos melhorar a distribuição de renda no País para que possamos ter um crescimento sustentado". Dirceu informou que o PT está elaborando, vai apresentar e colocar em debate, em todo o País, no período de dezembro a março, uma proposta de transição do atual modelo econômico para outro. Sem fechamentoJosé Dirceu ressaltou no entanto, que, ao propor um novo modelo para a economia brasileira, não está defendendo um fechamento da economia e nem uma economia autárquica. O que, segundo ele, o PT defende, é que o País deve exigir reciprocidade em seu comércio exterior. "O Brasil precisa de reciprocidade nos mercados externos. Estão bloqueadas para nós as exportações agropecuárias pela Europa, pelo protecionismo e pelos subsídios", afirmou. "Os Estados Unidos têm uma série de barreiras não-tarifárias. O Brasil precisa, portanto, de acesso aos mercados, de capitais e tecnologia". Mas agora, segundo Dirceu, "é hora de cuidar do Brasil. O Brasil já privatizou, já abriu sua economia, e nós continuamos com uma economia estagnada, juros altíssimos, com desemprego crescente, e agora com problemas graves na infra-estrutura, inclusive energética", disse. "Portanto, acredito que se esgotou este modelo. O Brasil precisa debater, nessas eleições, um novo modelo econômico - para distribuir renda, combater a pobreza e ter um crescimento sustentado. O País não pode ser prisioneiro de um circuito financeiro, de uma dependência de capitais que inviabilizou seu crescimento. Porque o juro alto acabou inviabilizando qualquer crescimento aqui. E essa dependência de capitais externos está se esgotando, porque não virão mais capitais externos para o País."

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