André Dusek, Estadão
André Dusek, Estadão

José Dirceu critica silêncio das Forças Armadas

Em texto publicado em seu blog, ex-ministro, que foi preso durante a ditadura militar, diz que militares deveriam assumir publicamente os crimes cometidos

Isadora Peron, de O Estado de D. Paulo,

10 de maio de 2013 | 12h56

SÃO PAULO - O ex-ministro José Dirceu, que foi preso no congresso clandestino da UNE em Ibiúna (SP) em 1968, publicou um texto em seu blog nesta sexta-feira, 10, em que critica as Forças Armadas por elas não assumirem publicamente os crimes cometidos durante o período militar (1964-1985).

O artigo foi publicado um dia depois de a Comissão Nacional da Verdade divulgar a existência de documentos produzidos pelo Exército durante aquela época e no mesmo dia em que o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que dirigiu o DOI-Codi em São Paulo, presta depoimento ao colegiado.

"Essas revelações são mais uma prova do erro histórico que as Forças Armadas cometem ao não informar à nação o destino dos desaparecidos políticos assassinados, ao não assumir publicamente os crimes da ditadura e de seus mandantes e executores e ao não pedir desculpas ao país e aos brasileiros", afirma Dirceu, condenado a mais de dez anos de prisão no julgamento do mensalão.

Ele continua: "Podem persistir no erro por mais algum tempo, não sei quanto, mas tudo virá a público e os responsáveis serão conhecidos e responderão mais cedo ou mais tarde à Justiça".

Um dos documentos divulgados pelo integrante da comissão Claudio Fonteles na quinta-feira mostra que o Exército usou bomba napalm contra os guerrilheiros do Araguaia. Outro informe registra que prisões de "políticos, pessoas de relevo e jornalistas" deveriam ser autorizadas pelo presidente da República.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.