José Aníbal prevê composição com PMDB em 2002

O presidente nacional do PSDB e deputado federal José Aníbal (SP) reuniu-se hoje, em Belo Horizonte, com dirigentes regionais do partido em Minas, Rio de Janeiro e São Paulo, em mais uma etapa do projeto de "revitalização" da legenda em todo o País, e não poupou críticas aos pré-candidatos da oposição à presidência da República. Um dos principais alvos de Aníbal foi o governador mineiro Itamar Franco (PMDB). O parlamentar afirmou que, como os peemedebistas governistas estão fortalecidos no processo de escolha interna de seu comando nacional, há um "bom caminho" para que o partido faça uma composição com os tucanos ainda no primeiro turno das eleições de 2002.Na semana passada, ao retirar sua candidatura à presidência nacional do PMDB, Itamar Franco acusou o presidente Fernando Henrique Cardoso de exercer influência "malévola" sobre os peemedebistas para neutralizar as forças do partido que defendem candidatura própria ao Planalto. "Isso é conversa fiada, conversa de perdedor, de pescador, é o padrão Itamar", disse Aníbal. "Ele devia era tentar cuidar melhor do governo dele, que é um dos piores do Brasil", acrescentou.O líder tucano garantiu ainda que o presidente não tomou nenhum tipo de iniciativa para interferir nas discussões internas do PMDB, embora a ala governista da legenda seja favorita para a eleição de setembro, com a candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP). "O PMDB está decidindo essas coisas com a autonomia que tem, e não fizemos nem temos como fazer qualquer intervenção", disse.Para Aníbal, o governador Itamar só lançou sua candidatura ao comando nacional do PMDB por influência do senador goiano e atual presidente do partido, Maguito Vilela, a quem classificou como "um fanfarrão". Itamar não fez nenhum comentário sobre os ataques.Aníbal também criticou os outros três pré-candidatos presidenciais - o governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), que "não tem plataforma", o petista Luís Inácio Lula da Silva, que, apesar de "maior consistência" que os demais, estaria sendo prejudicado por divergências internas de seu partido, e o ex-governador Ciro Gomes (PPS), que "só sabe xingar o presidente, mais nada". De acordo com o tucano, o candidato do PSDB a ser escolhido até o início do próximo ano - os ministros José Serra, Pimenta da Veiga, Pedro Malan e Paulo Renato e o governador Tasso Jereissati estão no páreo -, deverá chegar ao segundo turno graças ao bom desempenho do governo de FHC.Aníbal afirmou que o PSDB e o governo federal estariam contornando a crise energética, com a ajuda da sociedade, já teriam sepultado qualquer suspeita de irregularidade ou corrupção e também estariam fazendo investimentos importantes, principalmente em Educação e Saúde. As bases e a militância tucanas têm sido estimuladas desde já a incorporar esse espírito e aumentar a sua auto-estima, por meio de reuniões como a de Belo Horizonte. "Não temos lições de ética a receber de ninguém e não temos que nos envergonhar de nada", afirmou o deputado. "Não podemos mais deixar nenhuma crítica sem resposta".

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