José Álvaro Moisés

Professor da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa Qualidade da Democracia, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP)

O Estado de S. Paulo

16 de março de 2015 | 23h42

15 de março foi um recado importante em vários sentidos. Primeiro, de que temos uma democracia pujante, com muita diversidade política e o desejo das pessoas de influenciar os rumos do governo. Depois, os manifestantes anunciaram que estão insatisfeitos com o governo, querem que ele mude ou saia. A ideia de que as manifestações eram golpismo ou terceiro turno caíram por terra, mas as pessoas se mostraram cansadas da corrupção, desconfiadas do governo e de instituições como os partidos e o Congresso.

Outras coisas também ficaram claras: o PT e o governo Dilma dizem, sempre que podem, que querem construir um projeto hegemônico no país, a favor da justiça e da igualdade social, mas são incapazes de perceber que hegemonia é algo que supõe incluir os que pensam diferente e que o esforço de convencer os outros é sempre necessário a quem quer governar para todos. A ideia de que foi um evento só de ricos e 'coxinhas' não tem apoio na realidade e espanta que o governo se iluda sobre isso.

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