José Alencar volta a ser internado em São Paulo

Segundo boletim médico, não há previsão de alta para vice-presidente, que dias antes se submetera a quimioterapia no Hospital sírio-libanês

Fausto Macedo e Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2008 | 00h00

O vice-presidente da República José Alencar, de 76 anos, internou-se às 22h30 de sábado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratamento de um quadro infeccioso. Boletim médico subscrito pelo diretor clínico do hospital, Riad Younes, e divulgado às 12h18 de ontem, afirmava que era estável o estado geral de Alencar. A nota assinalou que não havia previsão de alta, mas o Palácio do Planalto informou que o vice deverá deixar hoje o hospital.Ele chegou ao Sírio-Libanês com febre alta, provável reação à série de seções de quimioterapia a que vem se submetendo para combater um câncer na região abdominal. Ontem mesmo a febre já havia sido debelada."Ele está bem, graças a Deus", disse ontem à tarde o empresário Josué Christiano Gomes, filho e sucessor de Alencar na Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas) - conglomerado com 16 mil funcionários que o vice-presidente montou em Montes Claros (MG) há 40 anos.Josué confirmou que a febre do pai está controlada. "De certa maneira, era até esperado", observou o empresário, referindo-se à reação ao tratamento.Os médicos explicaram aos familiares do vice-presidente da República que a quimioterapia provoca efeito colateral por causa da perda da capacidade imunológica do organismo."É assim mesmo", anotou Josué. "Os médicos procuram manter sob controle absoluto essa capacidade do organismo de combater infecções. Na hora em que cai a um patamar que consideram abaixo, eles procuram dar um conjunto de medicações para trazer essa capacidade a níveis normais ou pelo menos razoáveis. Era previsto, não há nenhuma surpresa. Meu pai está tranqüilo, está bem."O vice-presidente enfrenta seu maior desafio desde a infância de limitações e de trabalho árduo em Muriaé, na Zona da Mata de Minas Gerais, onde foi criado com 14 irmãos e, aos 7 anos, já ajudava o pai na pequena venda de mantimentos.Desde 2006 ele trava uma batalha contra o câncer. Já foi operado seis vezes. A última intervenção ocorreu no dia 30 de outubro, quando Alencar foi hospitalizado para a retirada de tumores. A cirurgia foi realizada pelo oncologista americano Murray Brennan, que também atendeu o vice-presidente nos Estados Unidos, há dois anos.Alencar está sob os cuidados da equipe coordenada pelo dr. Paulo Holf. Ontem, ele telefonou para alguns familiares e disse que está bem. Há duas semanas, quando se internou pela primeira vez no ano para fazer quimioterapia, seu irmão, Antônio Gomes, de 72 anos, demonstrava muito otimismo. "Espiritualmente ele (Alencar) está bem, com bom astral para enfrentar isso. Ele acredita muito em Deus. É uma luta extraordinária."É a segunda vez que Alencar é internado no Hospital Sírio-Libanês desde que recebeu alta da última operação. A internação de sábado não estava prevista. Os médicos haviam programado novas aplicações de quimioterapia para o fim de janeiro.VIAGEMNo último dia 6, domingo, ao deixar o Sírio-Libanês, o vice-presidente não perdeu o bom humor, que lhe é peculiar, e pediu aos jornalistas que o abordaram que rezassem por ele. "Reza para mim. O negócio está feio", disse, à saída do hospital. "Estou saindo satisfeito porque sou assim mesmo, mas que a coisa é preta, é."Se o tratamento de quimioterapia não for suficiente, o vice-presidente poderá passar por mais uma cirurgia.Há duas semanas, preocupado com o estado de saúde de Alencar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiou as suas férias - havia planejado descanso de 10 dias. A internação fez surgirem dúvidas ontem à tarde sobre a ida de Lula à Guatemala e a Cuba, mas o Itamaraty confirmou a viagem. Com isso, o vice-presidente deve assumir o lugar de Lula, como prevê a Constituição. Na impossibilidade de ele tomar posse, porém, a Vice-Presidência será ocupada pelo presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). A disposição de Alencar é de retomar o trabalho logo que receba alta, assim como fez na segunda-feira passada, dia 7, quando voltou a Brasília.

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