José Alencar diz que governo está em fase pré-operacional

A situação do País não recomenda otimismo exagerado, a saída para a crise é de longo prazo e a receita, ortodoxa. Tudo isso porque o governo Lula recebeu uma herança perversa de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. O diagnóstico é do vice-presidente José Alencar, que confessa estar contrariando orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que não sejam feitas críticas ao governo anterior. "Ele não quer que atirem pedras no passado, mas a verdade é essa", disse ele em entrevista ao Estado, quando definiu como "pré-operacional" o estágio atual do governo, numa analogia com o processo de estruturação de uma empresa até que se torne produtiva. Aos 71 anos, empresário bem-sucedido, Alencar é um dos homens do governo mais próximos do presidente Lula, a quem devota amizade e esperança típicos de um pai. A idade não lhe permite mais censuras nem constrangimentos com aparentes contradições, condição que o faz declarar-se "sem medo de ser feliz". Cristão, filiado ao PL, avisa que não é "crente" - ele aponta como prova a estátua de São Judas Tadeu sobre uma antiga arca de fazenda que decora o gabinete. E se vangloria da cadeira de trabalho que ganhou do presidente recentemente: "Eu disse que a cadeira dele era melhor que a minha e ele me mandou uma igual." Alencar tem um diagnóstico próprio das mazelas brasileiras. Não aceita a idéia de que o governo anterior foi o da estabilidade da moeda e que o atual deverá ser voltado para a solução dos problemas de segurança. "As coisas têm de andar juntas, simultâneas", diz, ao reproduzir o aprendizado dos tempos em que cursou a Escola Superior de Guerra (ESG), segundo o qual o Brasil tem quatro componentes: os meios políticos, econômicos, sociais e militares. "O desenvolvimento tem de ser harmônico de todos esses meios poderes."Leia as idéias do vice-presidente José Alencar no site do Estado

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.