José Alencar anuncia que tem novo tumor na região abdominal

Vice-presidente convocou imprensa para relatar reaparecimento da doença e não pretende se afastar do cargo

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

26 Julho 2008 | 14h09

Exames médicos feitos pelo vice-presidente José Alencar no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, na última terça-feira, revelaram que um tumor maligno no tecido muscular - enfrentado por ele desde 2006 - reapareceu na região abdominal. Ao chegar neste sábado à Base Aérea em de Brasília, Alencar disse que começará um tratamento quimioterápico em agosto e usará um novo medicamento espanhol, chamado Yondelis. "Estou esperançoso e com muita fé de que esse remédio vai ser decisivo para mim. Esse medicamento é um sucesso", afirmou.   O vice-presidente, de 76 anos, adiantou que não pretende se afastar do cargo por conta do tratamento. "O trabalho até tem me ajudado. Há muito tempo venho enfrentando esse caso e nunca parei de trabalhar", comentou. "O que podia me atrapalhar é a cabeça, mas a cabeça está boa. Ninguém morre na véspera: só no dia que Deus quiser."    Desde 2006, Alencar já fez três cirurgias, na tentativa de combater o tumor, uma delas no primeiro turno da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A última foi em outubro de 2007. Dois meses depois, porém, o sarcoma ressurgiu. Em fevereiro, ele submeteu-se a sessões de radiofreqüência. Agora, tentará enfrentar a doença sem operação.   "Estamos lutando, mas a vida é realmente uma luta para qualquer um de nós: tem curvas, morros, atoleiros", comparou Alencar, ao contar que o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ajudou-o na liberação da compra do medicamento espanhol. Além da Espanha, o Yondeles já é usado na Inglaterra e na Alemanha e, de acordo com o vice-presidente, está chegando ao Brasil.   "É uma aplicação como se fosse soro na veia e o remédio é adicionado ali durante 24 horas ininterruptas. Os efeitos colaterais começam entre seis a sete dias", disse. Sem aparentar abatimento, ele chegou até a brincar com a doença: "Vocês já me viram careca algumas vezes e vão ter de me ver de novo."   Presidente em exercício desde quinta-feira, quando Lula viajou para Lisboa a fim de assistir à Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Alencar negou que tenha ficado internado três dias no Sírio Libanês. Lembrou que na própria quinta participou da posse do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Paulo Tigre, em Porto Alegre.   "Eu só estive no hospital na terça-feira para realizar os exames, que precisam ser feitos com periodicidade curta, porque a luta contra o câncer tem como principal trunfo o diagnóstico precoce", insistiu o vice-presidente. Logo depois, abriu um sorriso diante dos jornalistas e, mais uma vez, exibiu otimismo. "Fico até agradecido por esse interesse porque eu fico pensando que valho alguma coisa."   Antes de encerrar a entrevista na Base Aérea, Alencar disse identificar-se com o pensamento de filósofo grego Sócrates e contou uma história. "Ameaçado de morte se fosse à tribuna do Parlamento para fazer um pronunciamento, o filósofo foi. Chegou lá e perguntou: 'O que é a morte?' Ninguém respondeu. Ele retrucou: 'Assim como vocês, eu não sei o que é a morte, então não tenho medo dela. O que tenho medo é da desonra.' ", observou o vice-presidente.   Atualizado às 20h51

Mais conteúdo sobre:
José Alencar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.