Jornalistas entram em greve no Pará

Cerca de 80 jornalistas, gráficos e motoristas do jornal A Província do Pará, em Belém, estão em greve desde hoje. A paralisação ocorre no meio de uma crise financeira que o jornal de 125 anos - um dos mais antigos do país - enfrenta com seus empregados e fornecedores. Os salários da redação e da gráfica estão atrasados desde janeiro. Há jornalistas que alegam que nem sequer receberam a parcela complementar do pagamento do 13º salário, em dezembro passado. A edição de hoje do jornal não circulou no Estado e a de domingo também não irá às ruas. O diretor-presidente do jornal, Gêngis Freire, segundo os grevistas, ameaçou fechar a empresa se até segunda-feira os funcionários não voltarem ao trabalho. "A greve foi movida pelo estômago. Estamos passando fome, com água e luz cortadas", afirmou um jornalista que preferiu omitir seu nome. "Essa greve foi montada pelo PT, cujo governo na prefeitura de Belém deve R$ 1,2 milhão para o jornal e não paga. Como a nossa linha editorial é contrária ao governo municipal, o sindicato dos gráficos, controlado pelo PT, armou essa greve política como represália", afirmou Gêngis Freire à Agência Estado. Ele garantiu que o atraso nos salários "não passa de nove dias", prometendo resolver o problema até terça-feira. Uma comissão de jornalistas e gráficos anunciou no início da tarde que nesta segunda-feira irá à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e ao Ministério Público denunciar as irregularidades que estariam ocorrendo na empresa, que durante mais de cem anos foi administrada pelo condomínio dos Diários Associados.

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