HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Jornalista Rosângela Bittar estreia coluna no ‘Estado’

Nova colunista passou por grandes veículos de comunicação e diz que sempre manteve os ‘dois pés na reportagem’

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2019 | 03h00

Uma extensa trajetória de excelência no jornalismo trouxe Rosângela Bittar de volta às páginas do Estado. Foi neste jornal que ela deu início à carreira há 41 anos, e, a partir desta quarta-feira, Rosângela terá uma coluna semanal para levar informações e análises aos leitores.

Os textos devem seguir um estilo de trabalho que marcou sua carreira: Rosângela já comandou as sucursais em Brasília de alguns dos principais jornais do País, mas, como ela destaca, “sempre mantendo os dois pés na reportagem”. “Eu faço uma coluna de repórter”, conta. “Não sou cientista política. É uma coluna de observação dos fatos e de muita conversa.”

Rosângela é natural de Formosa, em Goiás, cidade mais próxima de Brasília do que da capital Goiânia, ao lado da divisa com o Distrito Federal. Da mesma forma, ela construiu a carreira bem mais perto dos corredores do poder do que imaginava inicialmente. Chegou à capital da República como estudante de Letras na Universidade de Brasília (UnB), na década de 1970, mas bastaram poucas aulas no Departamento de Jornalismo para encontrar um caminho sem volta, fascinada pelo noticiário. Logo já estava na reportagem, a serviço de um grande jornal. 

No Estado, começou como repórter de Educação ainda no regime militar, em 1978, e acompanhou as decisões do governo federal na área até a redemocratização. Cobriu a gestão de oito ministros em cerca de dez anos. De decisões do Ministério da Educação (MEC) ao dia a dia nas salas de aula, o jornal já mantinha a tradição de dedicar espaço maior ao assunto do que a concorrência.

Com o início da Assembleia Constituinte, Rosângela coordenou a cobertura passo a passo das discussões sobre o texto até a promulgação da Carta Magna em 1988 – sua primeira experiência na chefia de uma equipe, e a porta de entrada para o noticiário político. 

O destaque na cobertura a levou para o Jornal do Brasil nos anos 1990, onde ficou por dez anos e assumiu a chefia de reportagem em Brasília. Dali saiu para integrar a primeira equipe do Valor Econômico, jornal especializado na cobertura econômica fundado em 2000, onde estava até agora. 

Para alguém que achou que seria professora, não há sinal de arrependimento. Rosângela diz que, ao trabalhar em equipes de ponta na reportagem, se “discute, ensina, aprende e debate” o tempo todo. “Me enriqueceu muito o trabalho na chefia de redação, em que é preciso inventar uma maneira de trabalhar, inventar um tipo de coordenação.” 

Se há algo que une essa trajetória em quatro décadas como jornalista no Planalto Central, ela diz, é um trabalho constante de apuração. “É preciso estar circulando pelos três Poderes para fazer qualquer coisa: reportagem, coluna ou chefia de reportagem. Todas as autoridades com quem você precisa falar estão aqui.”

Distanciamento

No governo de Jair Bolsonaro, Rosângela vê o resultado de um “quadro estacionário” no mundo político que já dura mais de 20 anos. Ela identifica um distanciamento cada vez maior entre a sociedade e o mundo das autoridades no governo federal ao longo dos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e também agora. 

“Tudo no País se desenvolveu: a cultura, a tecnologia, a educação, e a sociedade passou a cobrar mais, a exigir mais atenção e consideração. A política, não”, diz Rosângela. “A política continua com os mesmos métodos, com a mesma estrutura, os mesmos defeitos e os mesmos problemas, sem acompanhar os avanços da própria sociedade.” As colunas de Rosângela serão publicadas às quartas-feiras, com análises, interpretações e informações sobre os bastidores de Brasília. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.