Jornalista é morto no interior do Rio de Janeiro

Rio - O jornalista Pedro Palma, de 47 anos, foi assassinado anteontem com três tiros na porta de sua casa em Miguel Pereira, interior do Estado do Rio. Dono e único repórter do jornal semanal Panorama Regional, que circula em dez municípios, ele chegava do trabalho por volta das 19h30 da quinta-feira quando dois homens se aproximaram em uma moto, chamaram por seu nome e um deles disparou.

THAISE CONSTANCIO, Agência Estado

14 de fevereiro de 2014 | 20h02

É o terceiro jornalista morto no País desde o início de janeiro. Palma levou um tiro no ombro e dois no peito. Deixou a viúva, Patrícia, e uma filha de 19 anos, Luana.

Criado em 1994, o Panorama Regional é o único jornal de oposição ao prefeito Cláudio Valente (PT). Na versão impressa e no Facebook, ele denunciava casos de corrupção e falta de repasse de dinheiro público, envolvendo principalmente o prefeito e a primeira-dama e secretária de Desenvolvimento Social, Kátia Kozlowski.

Uma hora antes de morrer Palma postou no Facebook uma foto da primeira-dama indo ao supermercado no carro oficial da prefeitura. Procurado, o prefeito não recebeu o Estado. "O Pedro sempre teve acesso à prefeitura e ao prefeito, mesmo depois de todas as denúncias", disse um assessor.

Palma era próximo de vereadores do PR e amigo pessoal do presidente da Câmara municipal, Eduardo Paulo Corrêa (PR), cuja gestão ele elogiava. Apesar das críticas, ele prestava serviços gráficos para a prefeitura. Na terça-feira, esteve no gabinete do prefeito para cobrar a execução de alguns serviços. Segundo uma de suas irmãs, a prefeitura lhe devia R$ 200 mil.

Ninguém da família prestou depoimento ontem à polícia. A mulher de Palma, Patrícia, afirmou que o marido sofria ameaças e recebia ligações anônimas. No velório, ontem, o clima era de revolta e a maioria dos presentes, com medo, preferiu não se identificar. O delegado Murilo Montanha disse não haver registro de queixas feitos por Palma.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota em que "repudia veementemente" o assassinato e pede "que os responsáveis sejam devidamente julgados". A Abraji cobrou "apuração rápida e rigorosa da execução" e o Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), em outra nota, adverte que o Brasil "se tornou um dos mais perigosos países para jornalistas na região".

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